Brasília/Niquelândia

“Amigos do Gravatinha” criam grupo no WhatsApp para tirá-lo da prisão no Distrito Federal

Evoney Oliveira Gonçalves - o popular Gravatinha, figura folclórica da cidade do Norte do Estado - está preso desde 1º de janeiro na ala psiquiátrica da cadeia feminina do Gama, em Brasília: aos 50 anos, Gravatinha vive um drama sem precedentes em sua vida por responder processo por tentativa de homicídio contra seu filho Eslindro Ferreira Gonçalves, de 19 anos, que possui várias passagens pela polícia

Mais do que um caso policial, o Portal Excelência Notícias relata um drama familiar neste domingo (10), que está sensibilizando os moradores de Niquelândia, no Norte do Estado, à coleta de recursos financeiros para que Evoney Oliveira Gonçalves – o popular Gravatinha, de 50 anos – possa responder em liberdade ao processo judicial por tentativa de homicídio a golpes de facão contra seu filho Eslindro Ferreira Gonçalves, de 19 anos.

Gravatinha está recolhido há exatos 39 dias na Ala Psiquiátrica da Penitenciária Feminina do Distrito Federal/PFDF (conhecido como “Colméia”, na região administrativa do Gama, em Brasília) por determinação do juiz Evandro Moreira da Silva, do Tribunal do Júri e Vara dos Delitos de Trânsito de Sobradinho-DF.

O desentendimento entre Gravatinha e Eslindro – que possui um histórico de várias passagens pela Polícia Civil em Niquelândia quando ainda era menor de idade – ocorreu por volta das 20h30 do dia 1º de janeiro deste ano numa chácara da região do Córrego do Ouro, no Setor Habitacional Fercal, em Brasília.

De acordo com a ocorrência registrada pela 13ª Delegacia da Polícia Civil do DF em Sobradinho, quando a Polícia Militar do Distrito Federal (PMDF) chegou ao local, Eslindro era socorrido pelo Corpo de Bombeiros de Brasília que o levaram para ser medicado no Hospital Regional de Sobradinho (HRS).

O rapaz tinha dois ferimentos por faca: um na região da cabeça, perto da orelha; e um corte profundo no ombro que, segundo os médicos do HRS, quase atingiu o osso de Eslindro. Ele recebeu os pontos na área machucada, foi medicado e liberado horas depois.

Ao delegado Antonio Eduardo Ruperez – da PCDF, que estava de plantão naquela noite no 13º DP de Sobradinho – Eslindro disse que estava ouvindo música e ingerindo cachaça, quando Gravatinha teria reclamado da postura do filho.

Eslindro, segundo sua versão à PCDF, teria resolvido continuar bebendo num matagal próximo, levando um facão em seu poder. Algum tempo depois, o rapaz voltou para a casa no Fercal e deitou-se, colocando o facão no chão do quarto. Gravatinha, então, teria entrado nesse cômodo, pegado o facão e saído da casa.

Ele e a mãe, Ana Ferreira França, saíram à procura de Gravatinha e o encontraram nas proximidades. Eslindro, de acordo com a ocorrência, teria tentado apanhar o facão das mãos do pai. Gravatinha se afastou e teria partido para cima do filho, aplicando-lhe os dois golpes.

A PRISÃO – Gravatinha está preso na ala psiquiátrica da Penitenciária Feminina do Distrito Federal no Gama: local, conhecido como “Colméia” é considerado perigoso por abrigar portadores de distúrbios mais graves que os de Gravatinha, inclusive com a prática de crimes violentos [Foto: Reprodução Whats App]
CONFLITOS FAMILIARES – “O Eslindro, tempos atrás, deu um tiro num cara na Vila Mutirão, bairro onde ele morava em Niquelândia com o Gravatinha e a mãe. Passado alguns dias, ‘os caras’ (amigos do rapaz baleado) deram umas facadas nele (Eslindro) num caso que deu muita repercussão, há alguns meses. O Gravatinha, então, quis afastar o Eslindro dessa confusão toda e trouxe o filho para uma chácara aqui em Brasília, de um conhecido. Naquele dia, por ter tomado ‘umas a mais’, o Eslindro começou a agredir o Gravatinha, jogando pedras no pai. Ele (Gravatinha) pegou o facão para se defender e acabou acertando as duas ‘facaozadas’ no rapaz. Nesse momento, o Gravatinha desmaiou por conta da epilepsia. Os bombeiros chegaram para socorrer o Eslindro e o pai, mas chamaram a PM; e o Gravatinha, depois de medicado no hospital, acabou sendo preso em flagrante por tentativa de homicídio”, detalhou o empresário do ramo automotivo Danilo Figueiredo, de 48 anos, que é amigo da família.

CAMPANHA DE DOAÇÕES – Danilo mora em Brasília, mas possui propriedades em Niquelândia, onde se tornou amigo de muita gente. Por isso, sensibilizado com a prisão dele, o empresário abriu um grupo no WhatsApp intitulado “Amigos do Gravatinha”, com a finalidade de arrecadar doações em dinheiro que serão entregues à filha dele, Poliana Ferreira.

Ela mora na região administrativa de Brazlândia, às margens da BR-080/DF, distante 63 quilômetros do presídio da Colméia onde Gravatinha está preso, no Gama.

Para visitar o pai, todas as quintas-feiras, Poliana precisa pegar vários ônibus do transporte coletivo da capital federal, numa viagem que custa caro; e que pode demorar até cinco horas nos horários de pico do carregado trânsito de Brasília. Isso sem contar despesas com a própria alimentação; e também para levar produtos alimentícios e de higiene pessoal para Gravatinha.

Dessa forma, os recursos que estão sendo coletados pelo jornalista Euclides Oliveira na sede do Portal Excelência Notícias em Niquelândia, em favor de Gravatinha, serão repassados à Poliana para o custeio do transporte/alimentação da jovem; do fornecimento à mantimentos para o pai preso; bem como para o eventual pagamento de custas processuais à defesa de Gravatinha (como cópias de documentos, certidões, dentre outros) que serão protocolados junto ao Tribunal de Justiça do  Distrito Federal e dos Territórios (TJDFT).

O objetivo de Danilo e Poliana é, evidentemente, conseguir que o TJDFT conceda um habeas-corpus (liberdade provisória) para que Gravatinha possa responder ao processo fora da prisão no Gama.

Danilo está bastante preocupado porque o presídio da Colméia abriga detentos com problemas psíquicos com histórico de crimes graves e cruéis.

Gravatinha está numa cela com outros 11 presos e, fora o risco de morte, enfrenta sérios problemas de saúde que dificultam sua permanência por tempo indeterminado na cadeia.

Caso não seja possível sua soltura imediata, Danilo entende que outra opção seria a transferência de Gravatinha para uma internação numa clínica psiquiátrica do Governo do Distrito Federal (GDF) na região administrativa do Riacho Fundo 1.

ADVOGADO DISPENSOU HONORÁRIOS – A partir desta segunda-feira (11), a defesa de Gravatinha no processo será feita pela pelo advogado Ricardo Guimarães, primo do vereador Agnaldo Ferreira Rocha (Agnaldo da Van/PP). Ricardo não cobrará por seus honorários advocatícios.

Para tanto, os responsáveis pela arrecadação de dinheiro em Niquelândia contribuirão apenas para o ressarcimento de despesas do advogado com combustível.

A oferta dos préstimos de Ricardo Guimarães, que mora em Brasília, foi aceita por Danilo e por Poliana por uma questão de logística e eventual rapidez processual: dois advogados de Niquelândia – o ex-presidente da OAB local, Nilson Spíndola; e o atual presidente da entidade classista, Leandro Pereira da Silva – também se disponibilizaram a cuidar do caso em Brasília em favor de Gravatinha.

Porém, como a distância da cidade do Norte do Estado com a capital federal poderia ser um fator de dificuldade para que Nilson e Leandro acompanhassem mais de perto o processo, o vereador do PP ofertou o auxílio do advogado-membro de sua família.

Ricardo Guimarães terá a árdua tarefa de mudar o entendimento do TJDFT acerca do controverso caso envolvendo a prisão de Gravatinha por tentativa de homicídio contra Eslindro.

“A liberdade do autuado é um risco para a ordem pública, pois ele é capaz de agredir o próprio filho”, afirmou o juiz Evandro Moreira da Silva, num dos trechos do despacho que proferiu após a audiência de custódia no dia 2 de janeiro, quando determinou investigação de insanidade mental em Gravatinha; e o seu recolhimento ao presídio da Colmeia.

CAUTELA – O advogado, em rápida conversa com o Portal Excelência Notícias, limitou-se a dizer que as estratégias e medidas a serem tomadas para amenizar o sofrimento de Gravatinha na cadeia serão divulgadas oficialmente por ele nesta segunda-feira (11).

Uma das possibilidades, porém, é que o histórico de antecedentes criminais de Eslindro na Polícia Civil de Niquelândia seja relatado no processo no TJDFT para demonstrar que Gravatinha é uma vítima direta das ações desmedidas de Eslindro, bastante conhecidas em Niquelândia.

Por isso, ele teria atingido o filho com dois golpes de faca não com o intuito de matá-lo, mas apenas com intenção de defender sua própria integridade física.

ÍCONE POPULAR – Figura querida entre os niquelandenses desde o tempo em que vestia roupas tipicamente circenses (como colete, camisa listrada, chapéu preto com detalhes em vermelho e gravata na mesma cor, que lhe renderam o apelido famoso), Gravatinha ficou conhecido por sua caricata atuação como “guarda de trânsito” e entrou para o folclore da cidade, de 46 mil habitantes.

Naquela época, munido com um apito, Gravatinha orientava os motoristas de Niquelândia sobre o melhor caminho a seguir. Embora portador de distúrbios mentais em decorrência de inúmeras crises de epilepsia, as “ordens” de Gravatinha eram obedecidas por muitos motoristas que não conheciam sua real situação de saúde.

De certa forma, ainda que atuando irregularmente, Gravatinha se mostrava útil numa cidade onde nem a prefeitura e nem a Polícia Militar (PM) local dispunham – como até hoje não dispõem – de aparato/efetivo específico para resolver os conflitos de tráfego na Avenida Brasil, que reúne os principais comércios do município.

COMO FAÇO PARA AJUDAR? – Doações em qualquer quantia em dinheiro podem ser direcionadas ao WhatsApp do jornalista Euclides Oliveira (62) 99945.5200. Você também pode ir diretamente até a sede do Portal Excelência Notícias na Rua Sete de Setembro nº 93-B, 1º Andar, Setor Central, perto da Caixa Econômica Federal e da Delegacia da Polícia Civil, em Niquelândia. A cada repasse de recursos para Brasília, haverá prestação de contas à sociedade niquelandense pela caridade e disponibilidade financeira à soltura de Gravatinha.

SÓ FALTAVA A CANETA – Figura popular em Niquelândia, Gravatinha ficou conhecido por sua caricata atuação como “guarda de trânsito” e entrou para o folclore da cidade de 46 mil habitantes: prisão dele, que é portador de problemas mentais, incentivou a solidariedade por sua libertação entre os niquelandenses [Fotos/Montagem: Joelson Oliveira – Colaboração: Juliano Campos]

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