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Niquelândia

Corpo queimado: Polícia Civil revela nome da jovem que atraiu pedreiro para a morte há 40 dias

Anailza Santana e Domithi Lopes foram presos na tarde da quarta-feira (17) por determinação do Judiciário. Agora, delegado quer saber se a mãe e o padrasto de Natieli Santana Freitas a ajudaram a matar o pedreiro Rogério Pereira dos Anjos, na madrugada do dia 7 de setembro: jovem está foragida

Um homem e uma mulher foram presos na tarde da quarta-feira (17) pela Polícia Civil de Niquelândia, em cumprimento de mandado de prisão expedido pelo Poder Judiciário, para que o delegado Cássio Arantes do Nascimento possa apurar o grau de envolvimento dessas duas pessoas no assassinato do pedreiro Rogério Pereira dos Santos, de 30 anos, ocorrido no mês passado.

O corpo, completamente carbonizado, foi encontrado às 8h55 do dia 11 de setembro pelo Corpo de Bombeiros da cidade num barranco às margens da GO-237 (Uruaçu/Niquelândia), distante apenas 300 metros do acesso à estrada em direção ao Povoado Indaianópolis.

A identificação formal de Rogério se deu pelo exame de sua arcada dentária no Instituto Médico Legal (IML) de Uruaçu. Os exames da Polícia Técnico-Científica também apontaram que o pedreiro foi violentamente espancado antes do corpo ser queimado, já que haviam fraturas no crânio e nos ossos do rosto.

Pelas circunstâncias do crime, segundo o delegado, tudo indica que o rapaz fora vítima de latrocínio (roubo seguido de morte) já que fora visto ostentando maços de dinheiro vivo em dois bares da cidade entre o final da noite da quinta-feira, 6 de setembro; e a madrugada do feriado nacional da sexta-feira, dia 7 de setembro.

De acordo com a autoridade policial, a auxiliar de serviços gerais Anailza Santana, de 46 anos; e Domithi Lopes da Costa, de 38 – que foram recolhidos temporariamente à cadeia da cidade – são, respectivamente, a mãe biológica e o padrasto da desocupada Natieli Santana Freitas, de 24 anos.

Com passagens anteriores por tráfico de drogas, Natieli está  foragida da Justiça em função das provas que a Polícia Civil reuniu sobre a efetiva participação da jovem na morte do pedreiro.

Investigações realizadas pela equipe coordenada por Cássio Arantes, nesses 36 dias posteriores ao encontro dos restos mortais do pedreiro, evidenciaram que um aparelho de telefone celular achado no local do crime pertencia a Natieli, segundo o delegado; e não à vítima fatal do episódio, como se cogitou inicialmente.

Do celular, que estava parcialmente queimado – do lado de fora, de um modo geral – a Polícia Civil extraiu o chip de uma linha telefônica e o cartão de memória SD.

Também com autorização do Poder Judiciário, obtida em 24 de setembro, o delegado verificou o conteúdo do celular de Natieli.

E, para a surpresa dos policiais civis envolvidos na investigação, foram encontradas fotos de Rogério já morto, antes do cadáver ser incendiado.

Na galeria de imagens do aparelho ficaram, evidentemente, os registros de data e hora em que as fotos macabras foram feitas: por volta das 13h50 do dia 8 de setembro, um sábado.

Nesse dia – com base na sequencia de provas colhidas na investigação – populares relataram terem notado a existência de fogo na vegetação às margens da rodovia.

No celular, a PC também encontrou 17 fotos de uma menina, menor de idade, que é filha da principal suspeita do crime.

Por fim, ao instalar o chip do celular de Natieli em outro telefone celular no DP, os policiais civis também descobriram que a conta do aplicativo de mensagens WhatsApp também estava configurada em nome da desocupada.

Investigação da Polícia Civil no dia do encontro do restos mortais do pedreiro assassinado também localizou um celular parcialmente queimado no local: aparelho pertencia a Natieli, que fotografou o corpo antes de atear fogo [Fotos: Plantão de Notícias/Colaboração Especial Montagem: Portal Excelência Notícias]
O CRIME – De acordo com o delegado, Rogério não tinha antecedentes criminais de tal modo que a possibilidade de morte por vingança foi logo descartada pela Polícia Civil.

O pedreiro e a suspeita de ter atentado contra a vida dele não se conheciam. Porém, numa atitude completamente desmedida e sem avaliar os riscos que isso poderia lhe causar, Rogério trocou dois cheques seus com um agiota de Niquelândia por cerca de R$ 5 mil em dinheiro vivo.

Em poder dos maços de notas, segundo o delegado, o rapaz embebedou-se num conhecido bar e petiscaria da Avenida Anhanguera, região central da cidade; e num estabelecimento às margens da GO-237/Rodovia da Fé em direção ao Muquém, no trevo de acesso à GO-532/Anglo American.

No local, tido como problemático pelas forças de Segurança Pública do município do Norte do Estado, Rogério e Natieli teriam se conhecido onde, muito provavelmente, o pedreiro ingeriu mais bebida alcoólica.

Como a jovem está foragida, o delegado da Polícia Civil de Niquelândia ainda não conseguiu determinar o trajeto que a vítima e a suspeita percorreram entre a GO-237/Muquém e a GO-237/Acesso Indaianópolis, onde o corpo foi encontrado.

Dessa mesma forma, a PC ainda não sabe precisar se Rogério foi violentamente espancado nesse mesmo local ou em outro local de Niquelândia. Segundo o delegado de Niquelândia, a Polícia Civil ainda investiga a possível existência ou não de uma segunda pessoa na cena do crime – um homem, muito provavelmente, companheiro ou amigo de Natieli – para saber se ela cometeu o crime sozinha ou não.

A prisão temporária do padrasto e da mãe da principal suspeita do crime poderá trazer novos elementos à investigação, de acordo com Cássio Arantes. O prazo de detenção de Anailza e Domithi é de 30 dias, podendo ser prorrogada por outros 30, se necessário.

O que já se sabe é que, mesmo que o local do encontro tenha sido apenas a área de ‘desova’ do cadáver, é que houve um intervalo de mais de 24 horas entre o cometimento do assassinato (na madrugada do dia 07/09, supostamente) e a queima do cadáver (no início da tarde do dia 08/09, evidenciada pela foto do corpo do pedreiro encontrada no celular que Natieli perdeu naquele local).

A Polícia Civil também já sabe que o veículo de Rogério – um Gol prata, ano 2012/2013 – foi levado de Niquelândia para Uruaçu, antes do corpo ser encontrado; e apura informações de que esse mesmo veículo foi posteriormente levado de Uruaçu para Jaraguá.

O QUE DISSE O DELEGADO – “Ele (Rogério) havia esquecido o celular dele em outro local, antes de sua morte. E o dono desse estabelecimento comercial nos entregou esse aparelho. Dai é que surgiu a hipótese de que o celular encontrado junto do corpo queimado pudesse ser do autor ou autores do crime, restando comprovado posteriormente que o aparelho seria da Natieli, no momento em que foi ateado fogo no cadáver da vítima. Paralelamente a isso, a Polícia Militar também havia recebido denúncia anônima pelo Copom/190 de que Natieli estaria de fato envolvida nesse crime. E a própria PC, pelo 197, recebeu outra denúncia semelhante.  Parte das testemunhas que ouvimos também confirmaram isso. Ela (Natieli) já é uma velha conhecida da Polícia Civil por seu envolvimento em outro homicídio praticado aqui em Niquelândia, em 2016. Sua mãe  – a  Anailza, que prendemos nesta quarta-feira – também já havia sido presa anteriormente pelo Genarc por tráfico de drogas. Queremos, com a prisão temporária dela e do seu companheiro Domithi, determinar o alcance da participação de ambos nos fatos; e também obter outras informações que ainda não posso relatar, para não prejudicar o andamento da investigação. O Rogério era uma pessoa trabalhadora, em que nada desabonava sua conduta, a não ser o fato de estar consumindo e pagando bebida alcoólica para terceiros naquele dia. O fato dele estar circulando com dinheiro nas ruas pode ter sido sim o indicativo de que Rogério fosse atraído por pessoas que ele não conhecia, caso da Natieli, levando a cabo a execução desse crime, que foi extremamente grave. A conotação para crimes de latrocínio – que é o roubo seguido de morte – é uma das mais duras do Código Penal, podendo determinar uma pena de 20 a 30 anos de prisão em caso de condenação.  Felizmente, não existe crime perfeito; já temos provas suficientes da participação da Natieli nesse delito; e agora não vamos medir esforços para prendê-la o quanto antes for possível, já que a mesma ainda encontra-se foragida”, afirmou o delegado de Niquelândia, em entrevista ao Portal Excelência Notícias na manhã da quinta-feira (18).

IMPORTANTE – A Polícia Civil pede a população de Niquelândia e arredores, bem como de outras cidades do Estado que, caso tenham notícias do paradeiro de Natieli, faça a imediata comunicação através dos telefones (62) 3354-1008 e 3354-4357. Pode ser denúncia anônima.

De acordo com Cássio Arantes, quem auxilia na fuga ou na ocultação de foragidos da justiça pode ser enquadrado (a) no crime de “favorecimento pessoal”, previsto no artigo 348 do Código Penal.

Cássio Arantes, delegado titular da Polícia Civil em Niquelândia, detalhando as circunstâncias em que o pedreiro Rogério (em duas fotos menores, no detalhe) foi assassinado na madrugada do dia 7 de setembro, em Niquelândia: embriaguez e dinheiro visível aos olhos de terceiros contribuíram para a morte da vítima, que não tinha antecedentes criminais [Foto: Cássio Arantes/Portal Excelência Notícias – Rogério Pereira/Arquivo de Família/Colaboração: Plantão de Notícias]
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