Cocalzinho de Goiás

Delegado que algemou e prendeu advogada em Cocalzinho de Goiás é punido com transferência pela Polícia Civil após OAB intervir no caso

Christian Zilmon Mata dos Santos foi colocado à disposição da 17ª DRP de Águas Lindas de Goiás pelo Conselho Superior da Polícia Civil até que seja lotado em outra unidade policial para desempenhar suas atribuições

O delegado Christian Zilmon Mata dos Santos foi afastado da Subdelegacia de Cocalzinho de Goiás e removido para a 17ª Delegacia Regional de Polícia Civil, em Águas Lindas de Goiás, por determinação da delegado-geral adjunto da PCGO, Murilo Polati Rechinelli.

A medida foi publicada nesta quarta-feira (22), em cumprimento a deliberação do Conselho Superior da Polícia Civil, em Goiânia.

A remoção ocorre após a repercussão do caso envolvendo a prisão da advogada Áricka Rosália Cunha, realizada pelo próprio delegado, na semana passada, que se declarou vítima das manifestações feitas pela profissional em rede social.

O episódio ganhou repercussão nacional por motivar questionamentos sobre possível conflito de interesse na condução do procedimento.

No mesmo contexto, a Polícia Civil editou a Portaria nº 323/2026, que estabelece critérios para atuação de delegados quando figurarem como vítimas de infração penal.

A norma determina que a autoridade avalie eventual suspeição e, caso reconheça comprometimento de sua imparcialidade, se abstenha de presidir o Auto de Prisão em Flagrante Delito e demais atos investigativos.

Se optar por conduzir o caso, deverá justificar expressamente a decisão.

A medida foi adotada após mobilização da Ordem dos Advogados do Brasil – Seção Goiás (OAB-GO), em articulação com o Conselho Federal da OAB, que apontou possíveis violações a prerrogativas da advocacia e à necessidade de imparcialidade na atuação policial.

Segundo o presidente da OAB-GO, Rafael Lara Martins, a regulamentação representa avanço institucional ao estabelecer parâmetros para prevenir conflitos de interesse, resguardar a validade dos atos processuais e reforçar a confiança nas instituições.

ENTENDA O CASO Aricka Cunha foi detida na tarde de quarta-feira (15) dentro do próprio escritório por determinação do então delegado da Polícia Civil de Cocalzinho de Goiás, Christian Zilmon Mata dos Santos, sob alegação de difamação. 

A prisão ocorreu após a divulgação, pela advogada, de trechos de um despacho de arquivamento relacionado a ocorrência policial, acompanhados de comentários críticos sobre o caso.

Na ocasião, o conteúdo publicado por ela fazia referência a documento oficial que indicava o arquivamento do procedimento por “fato atípico e falta de efetivo”, sem menção direta ao nome do delegado.

Imagens registraram o momento em que o delegado se dirigiu ao escritório da advogada e efetuou a prisão no local de trabalho, munido de forte armamento.

A profissional permaneceu detida até a noite, sendo liberada após pagamento de fiança fixada em R$ 10 mil.

“NÃO CONSEGUIRAM ME CALAR”, DIZ ADVOGADA – A advogada Aricka Cunha fez um pronunciamento na tribuna da Câmara Municipal de Goiânia nesta quinta-feira/23, um dia após a PCGO decidir pelo afastamento do delegado Christian Zilmon da DP de Cocalzinho de Goiás.

No vídeo divulgado em suas redes sociais, a advogada disse ter usado sua voz diante do rumoroso caso não apenas para expor abuso de autoridade, violação de prerrogativas, violência política e violência de gênero, mas também como resistência a um sistema que precisa ser confrontado.

“Tentaram me calar, mas hoje, diante de todos, eu mostrei: não conseguiram. Eu não tenho fuzil, eu tenho Deus, eu tenho a minha voz, e agora ela ecoa — forte, firme e impossível de ignorar. E isso é só o começo”, disse ela, no plenário do Legislativo goianiense.

[Com informações do site Rota Jurídica, sob adaptações editoriais do Portal Excelência Notícias, em Niquelândia]

Veja também

Botão Voltar ao topo