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Niquelândia

Sem receber da Leites Manacá, pequenos produtores do Indaianópolis acumulam dívidas

Empresa, que possui unidades em Rianápolis e em Porangatu, estaria devendo cerca de R$ 500 mil à cadeia leiteira da zona rural de Niquelândia pelo fornecimento do produto in-natura nos dois últimos meses de 2019: prejuízos e incertezas

Pequenos produtores de leite da região do Povoado Indianópolis reuniram-se na manhã da quinta-feira (13) no Sindicato Rural de Niquelândia para debaterem os caminhos a serem tomados para que a Lacel Laticínios Ceres LTDA – detentora da marca Leites Manacá –  faça o pagamento de notas fiscais em aberto pelo fornecimento do produto in-natura nos meses de novembro e dezembro de 2019.

Na região, a empresa possui duas unidades de beneficiamento, em Rianápolis e em Porangatu. A sede administrativa da empresa fica em Goiânia.

Todos forneceram o produto à Manacá durante cinco meses – (que era coletado pela empresa a cada três dias por caminhões-resfriadores) até o surgimento das dificuldades para receber.

Descontentes com a situação, os 26 produtores hoje revendem o leite para outros laticínios; e esperam pelos créditos dos valores em aberto da Manacá.

Vasco Rodrigues dos Santos – de 46 anos, há três anos na atividade – acionou o Portal Excelência Notícias para relatar seu drama e dos demais 25 produtores de leite da zona rural da cidade do Norte do Estado.

Ele estima que os débitos da Leites Manacá com a cadeia produtiva do leite em Niquelândia ultrapassem a casa dos R$ 500 mil.

E não é difícil entender o porquê da cifra elevada: com a ordenha de suas 18 vacas, Vasco consegue produzir 260 litros de leite por dia.

Em seu poder, na reunião, o pequeno produtor mostrou duas notas não-pagas pelo laticínio que, somadas, perfazem o total de R$ 16.001,00 pelo fornecimento de 13.334 litros de leite in natura. Ele vendia o produto à Manacá por R$ 1,20 o litro.

Uma delas, vencida em 30 de novembro, era de R$ 7.740,00. A outra, não quitada em 30 de dezembro, soma R$ 8.261,00.  Uma dura realidade para quem acorda com as galinhas, antes mesmo do sol raiar.

CONTAS ATRASADAS – “Não sabemos o que está acontecendo. A gente liga (sic) lá para o pessoal (da Leites Manacá), mas parece que eles não querem nos pagar, desaparecem. O telefone que eles tinham para a gente ligar não está atendendo mais. Nós dependemos desse dinheiro para pagar a ração, a energia, funcionários; e está tudo atrasado, já com juros nos boletos dos bancos. Será que a empresa vai pagar os juros para a gente? Estamos atrás para tentar receber deles (a Manacá), mas não sabemos mais o que fazer”, afirmou o produtor.

DURA REALIDADE – Valdeir Naves de Almeida, de 57 anos, é proprietário de 25 vacas leiteiras em área rural na Região da Estiva, próxima do Povoado Faz Tudo. Aguarda, ansioso, uma solução para receber R$ 6.848,00 das duas notas fiscais (uma de R$ 3.587,00 e outra de R$ 3.261,00 pelo leite que entregava à Manacá, por apenas R$ 1,00 o litro.

“Eu fico até arrepiado, porque não está fácil essa situação. Para pagar uma parte das contas, estou tendo que vender bezerros machos e um pouco de gado de corte, o que não deveria acontecer. Eu levantava 4 horas da manhã porque eles (a Leites Manacá) exigiam que o leite fosse tirado mais cedo, para melhorar a qualidade do produto. Quando o pessoal (os demais produtores) decidiram que íamos parar (de fornecer à Manacá) eu enchi meu tanque e resolvemos procurar outra firma”, detalhou Valdeir.

RECUPERAÇÃO JUDICIAL – Com dívidas estimadas em R$ 35 milhões em julho de 2015, a Leites Manacá entrou à época com um pedido de recuperação judicial junto ao Poder Judiciário.

Nos últimos anos, a Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Goiás (Faeg) realizou várias reuniões com a direção da empresa, cobrando soluções para o problema

Conforme explicaram os dois advogados que o Sindicato Rural de Niquelândia oportunizou aos produtores de leite na reunião, o caminho para receber os créditos em atraso da Leites Manacá seria ingressar com uma ação judicial nesse sentido.

O problema é que, no desenrolar do curso do pedido de recuperação judicial, a legislação sobre o assunto estabelece que os produtores de leite – que garantem o funcionamento da Leites Manacá – são os últimos a receberem. Em ordem de prioridades, ficam atrás dos funcionários, instituições financeiras, Estado e outros fornecedores.

SEM RESPOSTA – O Portal Excelência Notícias tentou, por diversas vezes, fazer contato com a área administrativa da Leites Manacá em Goiânia, para saber o posicionamento da empresa sobre a dívida com os produtores de leite da zona rural de Niquelândia.

No entanto, na maior parte do tempo, o número de telefone apresentava-se ocupado. E, quando desocupado, ninguém atendia aos telefonemas. O espaço, no entanto, segue aberto para que a Leites Manacá apresente suas justificativas para o caso relatado.

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