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Niquelândia

Aposentado quase cai em golpe do falso sequestro da filha durante a madrugada

Por mais de seis horas, Jerônimo de Oliveira foi mantido no telefone por estelionatários do Rio de Janeiro, que exigiam grande quantia em dinheiro para "libertar" sua filha Gilene Doya, que é bancária na cidade do Norte do Estado: delegado Rafhael Neris orienta como agir em situações parecidas

Gerente aposentado de uma instituição financeira em Niquelândia, Jerônimo de Oliveira, de 76 anos, foi alvo de uma tentativa do golpe do falso sequestro via telefone por golpistas do Rio de Janeiro entre a madrugada e a manhã desta quarta-feira (13) em Niquelândia.

Segundo o delegado Rafhael Neris Barboza – de Uruaçu, que atendeu a ocorrência – o tino policial da experiente agente de investigação da Polícia Civil de Niquelândia Gilma Custódio de Freitas foi fundamental para evitar qualquer prejuízo de ordem financeira.  Tudo não passou de um grande susto.

De acordo com o Registro de Atendimento Integrado (RAI) elaborado pela DP da da cidade do Norte do Estado, Jerônimo e sua esposa Marilene Pereira de Oliveira – de 72 anos –  foram acordados por volta de 1h20 da madrugada com uma ligação no telefone fixo da casa onde moram, na região central de Niquelândia.

Marlene atendeu a ligação. Do outro lado da linha, um desconhecido dizia que havia sequestrado a filha do casal, a bancária Gilene Doya. A aposentada, então, passou o telefone para Jerônimo, que foi convencido pelos golpistas a informar o número de seu celular.

Já na conversa pelo celular – recebida de um “número desconhecido” – Jerônimo foi convencido a sair de sua casa e hospedar-se num hotel na Avenida Getúlio Vargas, que fica na parte superior de uma agência bancária em Niquelândia.

Como esse hotel estava com todos os quartos ocupados – informação que essa que o gerente aposentado passou ao interlocutor do outro lado da linha – logo veio a ordem para que Jerônimo se dirigisse até um outro hotel das proximidades, a apenas uma quadra do primeiro.

Na linha, o golpista orientou Jerônimo para que fosse em sua caminhonete, que foi corretamente descrita pelo criminoso ao telefone. O aposentado foi monitorado durante toda a noite pois, de acordo com seu depoimento na Polícia Civil, a ligação não foi interrompida nenhuma vez.

Por volta das 6h10 da manhã, o golpista pediu que Jerônimo fosse até a única agência do Banco do Brasil de Niquelândia para que efetuasse uma transferência de um valor elevado para uma conta bancária de uma mulher numa agência bancária do BB, informando o número da mesma.

Em rápida pesquisa na internet, o Portal Excelência Notícias apurou que a agência informada pelos golpistas está localizada em Santa Cruz, bairro da Zona Oeste do Rio.

Assustado com o valor pedido ao telefone, Jerônimo informou que possuía dez vezes menos que o solicitado pelos oportunistas; e que o montante estaria numa conta-poupança de sua esposa, Marilene.

Na porta do BB local, cujo horário para saque inicia às 8 horas diariamente, Jerônimo não conseguiu sacar a quantia que havia oferecido aos ladrões.

No telefone, o golpista carioca – que estava a mais de 1.500 quilômetros de Niquelândia – disse à vítima que estava passando em frente ao banco; e que estariam monitorando os passos de Jerônimo.

Em seguida, pediram para que o gerente aposentado voltasse ao hotel da Rua Santana. Desesperado para “libertar” sua filha Gilene, Jerônimo disse aos criminosos que iria para Uruaçu; e que eles fossem para a cidade vizinha pois, dada a viagem de aproximadamente 1 hora entre os dois municípios, o BB de Uruaçu já estaria aberto.

Foi nesse exato momento, quando se preparava para seguir viagem, que o empresário Wilton Godoi deparou-se com a caminhonete de Jerônimo estacionada na porta do hotel.  Ao saber da história sobre o “sequestro” de Gilene, Wilton conseguiu contato com a bancária, que estava bem. Foi quando a história foi finalmente esclarecida, após seis horas de muita tensão.

Ou seja, que a conversa mantida durante a madrugada pelos golpistas com Jerônimo e Marilene era uma tentativa de extorsão para obter vantagem econômica indevida sem que Gilene fosse realmente vítima de um sequestro real.

DELEGADO FAZ ALERTA – “A ação da agente Gilma foi muito rápida, evitando assim a consumação do golpe, tranquilizando a pessoa do senhor Jerônimo. Mas deixo o alerta da Polícia Civil para que, em situações parecidas, as pessoas tenham cautela. Apesar dessa situação, que causa muito nervosismo e desespero, o ideal é sempre tentar entrar em contato com o familiar supostamente sequestrado e, principalmente, não fazer nenhum tipo de depósito ou transferência bancária. Ou no caso de seu Jerônimo, que saiu de casa para ir até os hotéis em Niquelândia, também orientamos para que não se vá ao encontro de ninguém sem o auxílio das polícias Civil ou Militar. Infelizmente, tentaram se aproveitar da idade avançada desse senhor para tentar aplicar esse golpe. Mas todos nós que temos que ter um cuidado redobrado pois, com as informações que existem nas redes sociais, o golpista consegue saber da rotina de suas possíveis vítimas. As pessoas que trabalham em bancos, sobretudo gerentes e tesoureiros, devem ter ainda mais cuidado porque são pessoas ainda mais vulneráveis e visadas a esse tipo de ação”, afirmou o delegado Rafhael Neris, em entrevista ao Excelência Notícias no final da tarde de hoje.

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