Niquelândia

“Se alguém estiver desconfiado de algo, que mande apurar”, afirma Léo Ferreira

Presidente da Câmara Municipal de Niquelândia desde janeiro de 2013, vereador do PSB alcança 4º mandato seguido para o mesmo cargo, rebatendo críticas sobre negociatas nos bastidores após vencer Jonas Barbosa com voto decisivo do vereador Erivaldo Piqui, do mesmo partido do prefeito Fernando Carneiro (PSD)

Por sete votos a seis, o vereador Léo Ferreira (PSB) foi reeleito para seu quarto mandato consecutivo como presidente da Câmara Municipal de Niquelândia na manhã desta sexta-feira (7) na disputa interna pelo cargo com o vereador Jonas Barbosa (PC do B), que era apoiado pelo Poder Executivo.

A permanência do atual presidente por mais dois anos no cargo impôs, como se sabe, séria derrota no Legislativo ao grupo político do prefeito Fernando Carneiro (PSD).

Léo segue na oposição ao médico que sucedeu seu tio e ex-prefeito Valdeto Ferreira (PSB) no comando da prefeitura em eleição suplementar, no primeiro semestre.

Visconde Vieira de Castro (PSDC) foi mantido na chapa vitoriosa do início de 2017 e será vice-presidente do Legislativo por mais dois anos.

Mas Léo só continuará à frente do Legislativo porque o vereador Erivaldo Mendanha da Silva, o Piqui (PSD) – que é do mesmo partido do atual prefeito da cidade – deu seu voto para o colega-presidente.

Além de agradecer o voto de Piqui, Léo Ferreira também fez outras considerações em entrevista coletiva à imprensa local após o encerramento da sessão.

SEM OBSTÁCULOS – “Foi uma eleição pesada, em que dependi muito do ‘companheirismo’ dos meus colegas vereadores que já estiveram comigo em outras ocasiões na condução da casa; e que decidiram votar em mim novamente, aos quais agradeço. E também quero agradecer aos demais colegas que não votaram em mim, mas que também não colocaram obstáculos para que a escolha fosse feita na sessão de hoje, de forma democrática”, afirmou Léo, logo após o término da sessão no plenário.

LEI ORGÂNICA PERMITIU – Fato inédito no Brasil – que seria digno de registro no Guinness Book, o Livro dos Recordes – a série ininterrupta do vereador à frente da casa de leis da cidade do Norte do Estado está sendo possível desde o final de 2013.

Em dezembro daquele ano, o artigo 19 da Lei Orgânica do Município foi alterada após três votações em plenário para que o então detentor do cargo de presidente do Poder Legislativo – o próprio Léo Ferreira – pudesse pleitear reeleição no exercício da função por mais dois anos, o que não era permitido até então.

Dessa forma, Léo alcançou seu segundo mandato como presidente no início de 2015 até dezembro de 2016. Reeleito para segundo mandato parlamentar há dois anos, pleiteou e assumiu a presidência da casa pela terceira vez em janeiro de 2017, cargo que novamente ocupará até dezembro de 2020.

Questionado pelo Poder Excelência Notícias se esses feitos de sua trajetória política não atentam contra a democracia em vigência no País, o ‘novo-velho’ presidente do Legislativo niquelandense disse que pautou sua quarta candidatura rigorosamente em cima do que está previsto na Lei Orgânica.

Léo também descartou a tese de que teria oferecido vantagens pessoais de ordem financeira para arregimentar os votos que permitiram sua continuidade no cargo de presidente, fato esse que foi muito comentado nos bastidores da política local nos últimos 15 dias.

QUE SE APUREM AS DESCONFIANÇAS – Comentários sobre essa tese sempre existirão, de qualquer jeito, não apenas em Niquelândia, mas em todas as cidades do Brasil. Graças a Deus, não houve esse tipo de coisa (corrupção). Se alguém tiver alguma desconfiança (de qualquer ato ilícito na condução do processo) deve mandar apurar até porque o Poder Judiciário e o Ministério Público (MP) estão presentes em nossa cidade”, afirmou Léo Ferreira.

Jonas – que é vereador em primeiro mandato – fortaleceu-se como candidato à presidência do Legislativo nos últimos dias como sendo o nome que contava com mais respaldo ao Poder Executivo, recebendo seis votos [Foto: Euclides Oliveira]
Apesar da derrota, Jonas Barbosa afirmou que se sentia ‘vitorioso’ por alcançar seis votos num pleito interno em que Léo já possuía três mandatos anteriores como presidente.

Porém, como não poderia deixar de ser, o vereador do PC do B ironizou a tese defendida por Léo de que a escolha pela manutenção dele no cargo de presidente se deu de maneira absolutamente lícita.

VEREADORES PRECISAM DAR EXEMPLO – “Tive seis votos limpos, sem precisar corromper e nem extorquir ninguém. Por isso, considero que minha candidatura foi um sucesso. Para que ficasse melhor, só faltou eu ganhar a eleição. Mas vejo que, como esse local é uma casa de leis, para nós cobrarmos os erros do Poder Executivo, é necessário que nós mesmos (os vereadores) possamos dar o exemplo aqui dentro. Nunca irei comungar com nenhum tipo de corrupção, partindo de que lado seja”, argumentou o candidato derrotado à presidência da câmara.

PIQUI MINIMIZA CRÍTICAS – O vereador Piqui ausentou-se rapidamente do plenário da Câmara Municipal ao final da votação, sem falar com a imprensa. Porém, concordou em falar com o Portal Excelência Notícias por telefone por volta das 10 horas.

Na oportunidade, o vereador procurou minimizar as críticas que logo surgiram nos bastidores dos grupos políticos e nas redes sociais que ele teria assumido o papel de “traidor” dentro do próprio grupo de Fernando Carneiro; e negou que houve desgaste em sua relação pessoal e política com o prefeito.

Porém, após certa insistência, Piqui admitiu que votou em Léo porque teria ficado descontente com o fato do prefeito não ter lhe ajudado a viabilizar sua candidatura à sucessão do atual presidente do Legislativo.

SEM RACHA – “Isso realmente ocorreu (o descontentamento) porque o grupo optou pela candidatura do Jonas. Mas está tudo tranquilo e tudo continua bem entre eu o prefeito, de forma transparente. Ele (Fernando Carneiro) me deu liberdade para decidir (o meu voto) e cheguei a essa conclusão (pela reeleição de Léo). A amizade e o respeito que tenho com ele e com sua esposa (a primeira-dama Juliana Campos) continuará a mesma. Não acredito que possa ter um ‘racha’ porque ele (o prefeito) e eu temos bons projetos para a cidade”, afirmou o vereador Piqui.

DESAPONTADO, MAS COMEDIDO – O vereador Eduardo Salgado (PT), líder do Poder Executivo na Câmara Municipal, comentou à imprensa no final da sessão que não conseguiu viabilizar sua candidatura à sucessão de Léo Ferreira na presidência; e que por isso resolveu apoiar Jonas Barbosa como postulante ao cargo de vice-presidente na chapa agora derrotada.

Eduardo, um político bastante experiente, preferiu descosntruir a tese de que a reeleição de Léo foi garantida a partir de ‘negociatas’ com os seis vereadores que apoiaram a reeleição do atual presidente.

Segundo ele, a política brasileira passa por um momento bastante frágil; e que pessoas da cidade do Norte do Estado que não são políticos – mas ‘politiqueiros’, nas palavras do petista – acabam espalhando inverdades e boatos maldosos sobre as conversas de bastidores entre os 13 vereadores, nos últimos dias.

Íris Rincon e Eduardo Salgado foram votos vencidos para que o vereador Jonas Barbosa fosse eleito para o Legislativo de Niquelândia: vereadora do PDT disse que reeleição de Léo foi ‘um episódio triste e lamentável’, enquanto o petista foi mais contido após a confirmação do resultado [Foto: Euclides Oliveira]
ÍRIS CRITICA PERPETUAÇÃO – “Formamos uma chapa com vereadores que gostariam que houvesse essa renovação, mas isso acabou não acontecendo. Faz parte do processo democrático e temos de respeitar a decisão da maioria. Mas é triste e lamentável que a ocorra a perpetuação no poder, como já vinha ocorrendo no governo federal e também aqui em Goiás. Isso é uma coisa maléfica à comunidade, através de processos de corrupção muito grandes. Infelizmente, não é possível acreditar que, dentro da nossa Câmara Municipal com 13 vereadores, não seja possível ocorrer uma renovação na presidência”, comentou a vereadora Íris Rincon (PDT) na entrevista ao Portal Excelência Notícias.

Em meados desse ano, ela tentou mas não conseguiu viabilizar a tramitação de um projeto para alterar novamente a Lei Orgânica de Niquelândia; e restabelecer antiga regulamentação para que os mandatos do presidente do Legislativo tivessem a duração de apenas 12 meses, sem direito a reeleição.

Vídeo que atesta Jonas sendo ‘traído’ viraliza nas redes sociais

Em vídeo gravado na última semana, mas que foi somente divulgado no final da manhã desta sexta-feira (7), o vereador Jonas Barbosa aparece pedindo votos para eleger-se presidente do Poder Legislativo, para os colegas-vereadores Eurípedes do Quebra Linha (PHS) e Nei Rosa (SD).

Na conversa entre os três políticos, predominaram as juras de fidelidade absoluta ao que fora politicamente acordado.

“Eu sou igual formigão, morremos abraçados”, comentou Eurípedes ao cumprimentar Jonas, prometendo o voto. “Esse será o novo presidente da câmara. Pode contar comigo”, completou o vereador do Povoado Faz Tudo, de forma contundente.

Em plenário, porém, Nei Rosa e Eurípedes não cumpriram a palavra com Jonas e votaram pela reeleição de Léo Ferreira.

A gravação, é claro, viralizou nos grupos de WhatsApp em Niquelândia e nas páginas de Facebook onde foi compartilhada pois, na era dos smartphones, é a primeira vez que uma traição nos bastidores da política da cidade foi comprovada após ser captada em vídeo, deixando de ser mero folclore das conversas de boteco.

Jonas, Eurípedes e Nei Rosa: vídeo com promessas de voto que não se cumpriram vira piada pronta nas redes sociais após a eleição que definiu novo mandato de Léo Ferreira no comando do Legislativo [Foto: Captura de Tela – Reprodução: Portal Excelência Notícias]
QUEM VOTOU EM QUEM – Votaram pela reeleição de Léo Ferreira os seguintes vereadores: Adélio Antonio de Brito, o Meio Quilo (PR); Eurípedes Rodrigues da Silva (PHS); Jesus Ferreira França (PRB); Visconde Vieira de Castro (PSDC); Erivaldo Piqui (PSD); Nei Rosa (SD); e o próprio Léo, em si mesmo. Votaram pela eleição de Jonas Barbosa: Íris Rincon (PDT); Edna Cardoso (PC do B); Agnaldo da Van (PR); Neira Matos (PTB); Eduardo Salgado (PT); e o próprio Jonas, em si mesmo.

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