Niquelândia

Estreante nas urnas, Fernando Carneiro é eleito prefeito com 12.598 votos na eleição suplementar

Médico disputou pelo PSD, alcançou 71,31% dos votos válidos e impôs derrota com 9.437 votos de frente para o candidato Denguinho Chimango (PSDC), que ficou em segundo lugar. Mandato-tampão vai até dezembro de 2020, tendo Saullo Adorno (PTB) como vice-prefeito

O médico Fernando Carneiro da Silva (PSD) – de 50 anos, um estreante na disputa por cargos públicos – foi eleito prefeito de Niquelândia neste domingo (3) em pleito suplementar organizado pelo Tribunal Regional Eleitoral (TRE) de Goiás, obtendo a confiança de 12.598 eleitores.

Ele atingiu 71,31% dos votos válidos apurados nas 96 seções distribuídas em 27 locais de votação. O candidato eleito pela Coligação “Um Novo Momento” terá a companhia do vereador em segundo mandato Saullo Adorno (PTB) no cargo de vice-prefeito.

Trata-se da maior votação em números absolutos obtida por um candidato a prefeito de Niquelândia na história política da cidade: Fernando Carneiro conseguiu 481 votos a mais que os 12.117 votos alcançados pelo candidato vitorioso na eleição municipal de 2012, Luiz Teixeira (PSD).

Eleito pelo atual MDB para seu terceiro mandato, o delegado aposentado da Polícia Civil havia obtido 50,20% dos votos válidos há seis anos.

Hélio Adorno, prefeito eleito Fernando Carneiro, vice-prefeito eleito Saullo Adorno e o presidente do PSD Jovem de Niquelândia, William Novais: comemoração em meio à multidão em Niquelãndia (Foto: ELAINE ALVES)

O resultado oficial, com 100% das urnas apuradas, foi anunciado às 19h26 pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) dada certa demora para que o Cartório da 41ª Zona Eleitoral de Niquelândia contabilizasse duas urnas que ainda restavam, do Povoado Acaba Vida, distante 120 quilômetros da área urbana do município.

Porém, às 18h30, Fernando Carneiro já havia confirmando a estrondosa vitória, com 12.502 votos. Um verdadeiro carnaval fora de época animado por carros de som automotivo se desenhou em frente ao comitê de campanha na Avenida Brasil,  principal corredor comercial da cidade .

O trânsito precisou ser interditado para a farta distribuição de cerveja organizada pela coligação vitoriosa.

O vice-prefeito eleito da cidade, Saullo Adorno (PTB), terá de renunciar ao mandato de vereador nos próximos dias para assumir sua função no Poder Executivo.

Para seu lugar, será convocado o primeiro suplente Eurípedes Rodrigues da Silva – o popular Eurípedes do Quebra Linha (PHS), que alcançou 280 votos em 2016. Ele era vereador na legislatura passada, mas não havia conseguido se reeleger.

O vereador e vice-prefeito eleito, Saullo Adorno (PTB) também foi saudado pela multidão: jovem politico dedicou vitória à sua mãe Dona Xanda, falecida no último dia 5 de maio (Foto: Elaine Alves)

COMPARECIMENTO – Dos 26.738 votantes aptos a votar (até 3 de janeiro deste ano) após o recadastramento biométrico feito pela 41ª Zona Eleitoral, compareceram às urnas neste domingo um total de 19.825 eleitores (74,15% do total). Mas 6.913 eleitores deixaram de ir às urnas, representando 25,85% de abstenção.

Outras 19 cidades do País também elegeram novos prefeitos neste domingo. Em Goiás, Niquelândia foi o único município que realizou eleições extras nesse final de semana.

DO POVO PARA O POVO – Dono de incrível popularidade entre seus pacientes, pela sua forma humana e humilde de atendimento de consultas nos hospitais públicos que já trabalhou, o prefeito eleito Fernando Carneiro derrotou outros três candidatos de larga experiência no cenário político da cidade de 45 mil habitantes, no Norte do Estado.

Havia pelo menos dois anos que, nas especulações de bastidores, o nome do médico era cogitado para disputar o Poder Executivo.

Pesquisas qualitativas e quantitativas contratadas pelo grupos políticos que o apoiaram indicavam seu enorme poder de fogo para ir às urnas.

Mas o médico só consagrou sua candidatura no plano municipal depois de um encontro reservado em Brasília com o presidente estadual do PSD, Vilmar Rocha.

Em rápida entrevista como prefeito eleito, ainda com a voz embargada em meio a multidão, Fernando Carneiro disse ao Portal Excelência Notícias que acreditava na vitória. Porém, mostrou-se surpreso com o percentual de votos que obteve.

Uma de suas primeiras medidas, segundo ele, será a contratação de uma auditoria externa para avaliar a real situação das contas públicas do município.

Aritanan, Heider Lima, prefeito eleito Fernando Carneiro e esposa Juliana Campos, Gabriella Almeida, vereador Piqui e Geovani Loirinho: sucesso estrondoso nas urnas e festança na Avenida Brasil (Foto: ELAINE ALVES)

POLARIZAÇÃO NA CAMPANHA, MASSACRE NAS URNAS – Na última semana de uma curta campanha de apenas 22 dias, a disputa pelo cargo de prefeito de Niquelândia ficou bastante polarizada entre o médico-vencedor e o ex-presidente da Câmara Municipal de Niquelândia, Weder Chimango Dias de Oliveira – o popular Denguinho (PSDC),  candidato derrotado pela Coligação “O Futuro Começa Agora”.

Denguinho ficou em segundo lugar na disputa com a confiança de 3.161 eleitores, obtendo 17,89% dos votos válidos.

Dono de dois mandatos consecutivos como vereador em Niquelândia entre 2009 e 2016, Denguinho não disputou a eleição municipal passada e decidiu-se preparar às eleições suplementares deste ano.

Porém, o candidato do PSDC sucumbiu nas urnas e o estreante Fernando Carneiro venceu o ex-vereador com incríveis 9.437 votos de diferença.

Boa parte disso se deu em função da bem-sucedida estratégia da oposição que relembrou episódio de fevereiro de 2012, quando Denguinho presidia o Legislativo.

Na ocasião, o ex-candidato a prefeito barrou a instalação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) em desfavor do então prefeito Ronan Rosa Batista, que era investigado por superfaturamento nas obras da Praça do Tucunaré Azul.

Fora isso, em situação mais recente, os grupos políticos atrelaram a postulação de Denguinho à suposta continuidade no poder do grupo político encabeçado pelo agora ex-prefeito Valdeto Ferreira (PSB).

Valdeto, como se sabe, foi apoiado por Denguinho na eleição de 2016. Porém, teve seu pedido de registro de candidatura cassado pelo TSE no último dia 23 de abril por supostos desvios de recursos da Educação, na ordem de R$ 532.000,00 em valores atualizados, quando foi prefeito pela primeira vez entre 1993 e 1996.

Na internet, os militantes fervorosos do PSD e do PSDC – sobretudo das classes mais populares – travaram verdadeiras batalhas virtuais nos grupos de WhatsApp em defesa de seus candidatos, postando uma infinidade deimagens, vídeos e áudios (com conteúdo muitas vezes infundados e até agressivos) com o intuito de desqualificar a candidatura adversária, de ambos os lados.

CELINO E XISTO –  Outros dois candidatos também disputaram a eleição suplementar à Prefeitura de Niquelândia neste domingo (3): pela Coligação “Geração de Fé e Trabalho”, o concorrente foi Celino Correa (SD). Entretanto, ele obteve apenas 1.037 votos (5,87% do total de votos válidos) por experimentar imenso desgaste em sua imagem por ter sido vice-prefeito do prefeito cassado Valdeto Ferreira, há menos de dois meses.

Dois dias após deixar a vice-prefeitura, Celino Correa deu uma longa entrevista exclusiva em tom de desabafo ao Portal Excelência Notícias, em 25 de abril.

Porém, o ex-vice-prefeito acabou mas duramente criticado pela população pela decisão de não romper publicamente a sua relação política com o então prefeito.

Dessa forma, Celino acabou sendo considerado corresponsável pelo desastre administrativo dos 16 meses do mandato que exerceram juntos.

A exemplo de 2016, o engenheiro Xisto Damas (PHS) novamente obteve inexpressiva votação, com apoio de apenas 870 eleitores (4,92% dos votos válidos).

O político veterano amargou o quarto e último lugar em sua segunda disputa consecutiva ao cargo máximo pelo Poder Executivo como cabeça de chapa da Coligação “Niquelândia Ainda Tem Jeito”.

Na eleição passada – ora filiado ao PEN (atual Patriota) – Xisto obteve modestíssimos 354 votos e também havia ficado em quarto lugar.

GARGALO ECONÔMICO DO MUNICÍPIO É O DESAFIO DO PREFEITO ELEITO 

Fernando Carneiro, prefeito eleito de Niquelândia: alegre pela vitória, mas ciente dos desafios que irá enfrentar após assumir definitivamente o cargo (Foto: ELAINE ALVES)

A abortada e conturbada gestão de Valdeto Ferreira – que inchou a prefeitura com cargos comissionados, sem que houvesse dinheiro suficiente em caixa  – agravou ainda mais a intensa crise político-administrativa que Niquelândia experimenta desde a paralisação das atividades da mineradora Votorantim Metais em janeiro de 2016.

Como se sabe, o último ano do terceiro mandato do então prefeito Luiz Teixeira (PSD) foi marcado por sucessivas reduções na receita corrente do município.

Por isso, um dos desafios do novo prefeito eleito Fernando Carneiro, após a posse, será regularizar a folha de pagamento dos 1.724 servidores efetivos da Prefeitura de Niquelândia que hoje enfrentam três meses de atraso no pagamento dos salários, em média.

E, além de toda sorte necessária para superar esses e outros desafios administrativos por dois anos e meio até dezembro de 2020 , o prefeito eleito de Niquelândia ainda terá de mostrar pulso firme dentro do próprio grupo político para aparar arestas e impor seu estilo de governar.

Terá, também, que superar a timidez que caracteriza suas aparições públicas para manter a confiança dos mais de 70% de eleitores niquelandenses que o elegeram neste domingo, estabelecendo uma votação jamais vista na cidade.

O vencedor da eleição suplementar precisará, igualmente, minar a oposição com ações governamentais eficientes que o coloquem no páreo por uma eventual tentativa de reeleição em outubro de 2020.

Para tanto, Fernando Carneiro terá apoio da esposa e fiel escudeira Juliana Alves Campos – administradora de empresas e futura primeira-dama do município – que o acompanhou em todos os compromissos políticos dessa vitoriosa jornada na inédita eleição suplementar no município.

O novo prefeito de Niquelândia nasceu em Porangatu mas foi criado na vizinha Mutunópolis, onde ainda vivem boa parte de seus familiares.

O vereador Léo Ferreira (PSB), que exercia o cargo de prefeito interino, vai reassumir a presidência da Câmara Municipal de Niquelândia após o TRE diplomar o prefeito eleito Fernando Carneiro, que será empossado pelo Legislativo até o dia 19 desse mês. (Euclides Oliveira)

Juliana Alves Campos, futura primeira-dama de Niquelândia, ao lado do prefeito eleito Fernando Carneiro (PSD): confiança na vitória logo pela manhã, quando votou em sua seção eleitoral em escola da cidade (Foto: ELAINE ALVES)
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