Niquelândia

Novas eleições a caminho, agora com prefeito afastado

Vereador Léo Ferreira toma posse como interino no Executivo com discurso de lealdade a Valdeto Ferreira, mas focado em regularizar pagamento da folha dos servidores públicos do município

Durou um ano, quatro meses e vinte e três dias o mandato do agora ex-prefeito Valdeto Ferreira Rodrigues (PSB), abortado na noite desta segunda-feira (23) com a posse do presidente da Câmara Municipal de Niquelândia, vereador Léo Ferreira (PSB) na condição de prefeito interino até que o Tribunal Regional Eleitoral (TRE) fixe a data para a realização de novas eleições na cidade de 45 mil habitantes.

Valdeto e seu então-vice Celino Correia (SD), tiveram cassados, pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), os pedidos de registro das candidaturas para os cargos aos quais concorrerem e venceram as eleições de 2016, com 10.603 votos.

Como se sabe, Valdeto não prestou contas de recursos do Ministério da Educação que a prefeitura recebeu na forma de convênios com o governo federal em 1996, último ano do seu primeiro mandato à frente do município.

Ficou inelegível e não disputou eleições por 16 anos, mas nunca ressarciu os cofres públicos o dinheiro que teria sido desviado há mais de duas décadas.

Jesus Rodrigues Camargos, juiz eleitoral de Niquelândia, ordenou posse do prefeito interino em Niquelândia após ser comunicado pelo TRE (Foto: Euclides Oliveira)

A comunicação do Tribunal Regional Eleitoral (TRE) ao juiz Jesus Rodrigues Camargos, da 41ª Zona Eleitoral de Niquelândia, chegou no final da tarde ao magistrado e, por volta da 18h10, o representante do Poder Judiciário informou ao Legislativo sobre a necessidade da posse imediata de Léo como prefeito provisVisualizar (abre em nova janela)ório.

Nos bastidores, havia muita correria da assessoria jurídica da Casa de Leis para dar validade aos ritos legais necessários ao cumprimento do que fora determinado pelo TRE. Aos 41 anos, Léo Ferreira foi eleito vereador pela primeira vez em 2012 com 570 votos e reelegeu-se em 2016 com 483 votos, sempre pelo PSB.

Tornou-se presidente do Legislativo em janeiro de 2013 e, graças às suas eficientes manobras políticas, foi reeleito para o cargo em 2015 na legislatura anterior; e foi eleito presidente novamente em janeiro de 2017 na atual legislatura, tendo contabilizado cinco anos e quatro meses ininterruptos à frente da câmara municipal, verdadeiro recorde na política nacional.

Com apoio das redes sociais e de grupos de WhatsApp, a notícia espalhou-se rapidamente pela cidade e um ótimo público compareceu ao plenário para os atos regimentais obrigatórios: primeiramente, Léo transmitiu o cargo de presidente da Câmara para o então vice-presidente, vereador Visconde Vieira de Castro (PSDC).

Visconde Vieira de Castro assumiu a presidência do Legislativo também em caráter interino, enquanto Léo estiver à frente da prefeitura (Foto: Euclides Oliveira)

Visconde na sequência, já como presidente da Câmara, deu posse para Léo como prefeito interino, exatamente às 20h40. O comerciante Agnaldo Soares Dantas (PDT) – eleito primeiro suplente de Léo Ferreira na eleição municipal de 2016 – assume provisoriamente o cargo de vereador nesta terça-feira (24).

CLIMA TENSO – Léo Ferreira procurou demonstrar comedimento e cautela com sua ascensão ao cargo de prefeito, por duas justas razões: primeiro, pela questão familiar, não poderia comemorar a derrocada definitiva de Valdeto, já que é sobrinho do prefeito cassado. E também pela herança de problemas que terá de minimizar para a entregar o município em melhores condições ao prefeito que será eleito em breve, na eleição suplementar.

O mais visível dos desgastes – dentre os inúmeros ônus que Valdeto deixou para o sobrinho –  é a necessidade de urgentíssimos e drásticos ajustes nos gastos da máquina pública do município, já que os atrasos no pagamento dos salários do funcionalismo podem chegar a quatro meses no quinto dia útil de maio.

Como apoiador que foi de Valdeto, Léo afirmou ao público presente que demonstrou sua lealdade ao manter-se em total discrição sobre a possibilidade de que se tornaria prefeito de Niquelândia a qualquer momento, quando era questionado por amigos e também pela imprensa local.

Léo Ferreira assina o termo de posse em dia agitado da política de Niquelândia: prefeito interino, aos 41 anos (Foto: Euclides Oliveira)

No rosto de sua esposa Carmem Lúcia Costa de Oliveira – que assumiu o posto provisório de primeira-dama no lugar de sua tia Conceição Veloso – era visível a expressão de preocupação com os dias de gestão que ela e o próprio prefeito interino terão pela frente. A agora primeira-dama Carmem Lúcia deu apenas alguns sorrisos para as fotos, mais por insistência dos que pretendiam registrar o momento do que por vontade própria.

Após o juramento, Léo Ferreira disse que 70% dos secretários municipais neste seu curto período como prefeito serão funcionários efetivos como forma de não onerar o já combalido orçamento municipal; e prometeu que a prioridade da utilização dos recursos que entrarem nos cofres públicos serão para minimizar o sofrimento dos funcionários efetivos da Prefeitura de Niquelândia.

Os professores da rede municipal estão em greve desde a quarta-feira (18) depois de seguidas paralisações provisórias em que não obtiveram sucesso nas negociações para o pagamento de atrasados com o então prefeito da cidade.

Léo Ferreira faz juramento perante à Lei Orgânica do Município, ao assumir o cargo de prefeito interino (Foto: Euclides Oliveira)

O PRONUNCIAMENTO DO PREFEITO INTERINO – “Estou um pouco triste hoje pois quem está deixando o cargo de prefeito hoje (Valdeto) é do meu sangue. Mas, ao mesmo tempo, estou alegre e com a consciência tranquila porque não movi uma palha sequer para que tudo o que pudesse acontecer (o afastamento do prefeito) não fosse por decisão da Justiça, para que nenhum tipo de processo fosse apressado. O que me deixa confortável é isso; e os colegas-vereadores sabem disso. Ainda não sei quanto tempo que irei ficar (na cadeira de prefeito) – se será 30 dias, 60 dias ou 90 dias – mas nesse período eu vou tentar regularizar pelo menos parte dos pagamentos; e tentar direcionar o maior volume de recursos possíveis para os salários dos trabalhadores da prefeitura. Vou fazer questão, ainda, de dar publicidade para todas as receitas do município junto com os vereadores; com os conselhos; e com o presidente do sindicato (Jair Dias de Almeida) e com a presidente do Sintego (Maria Geralda Ferreira); e para todos os quiserem acompanhar nosso trabalho. Recentemente, também fomos a Goiânia e pedimos ao governador José Eliton (Júnior, do PSDB) que assumisse o pagamento do transporte escolar de Niquelândia, um peso muito grande nas contas do município hoje. Vamos lutar, incansavelmente. Falta de força política não haverá, pois terei a humildade de pedir ajuda para a situação e para a oposição. Agora, nesse momento, não é hora de medirmos forças políticas, mas sim hora de todos me ajudarem a organizar a situação dos nossos servidores públicos. Tenho certeza de que, uma vez circulando o dinheiro no comércio município, ele voltará na forma de aumento na arrecadação para a Prefeitura de Niquelândia. Esse é o nosso lema e será isso que irei fazer”, discursou o prefeito interino Léo Ferreira. Os vereadores Saullo Adorno (PTB), Iris Rincon (PDT) e Neira Matos (PTB) não compareceram à cerimônia.

Público compareceu em bom número ao plenário do Legislativo para a posse do prefeito interino, em Niquelândia (Foto: Euclides Oliveira)
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