Niquelândia

Sindicato Rural de Niquelândia desenvolve plano de apoio à diversificação da produção local

Diego Coelho, que preside entidade na cidade do Norte do Estado, busca constantes avanços nas áreas de fruticultura, avicultura, apicultura, bovinocultura e pecuária leiteira, dentre outras: meta ambiciosa é conseguir instalar polo da Embrapa Cerrado no município

Atento ao panorama da diversificação produtiva local, o Sindicato Rural de Niquelândia está elaborando um plano estratégico de desenvolvimento de cadeias produtivas no município, pelo qual serão oferecidos desde assistência técnica a melhoramento genético.

A ação, já iniciada com a pecuária leiteira, envolve parceiros como o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar); a Faeg (Federação da Agricultura e Pecuária de Goiás); o Serviço Brasileiro de Apoio à Micro e Pequena Empresa (Sebrae) e a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa).

O presidente do Sindicato Rural de Niquelândia, Diego Coelho, diz que o a diversidade de produção é grande no município e a entidade atua como elo entre uma cultura e outra, com o objetivo de auxiliar os produtores a investirem em novas formas de produzir.

“É tanta coisa que se produz em nosso município que nós- como Sindicato Rural, como entidade que defende e representa o produtor – não podemos deixar de nos ater a essa diversificação. Temos que englobar todos esses produtores, representá-los e desenvolvê-los”, afirmou.

Em face dessa pluralidade no município, Diego Coelho entende que é seu papel compreender um pouco de cada cultura, o que facilita o diálogo com quem produz e na busca de apoio.

Para fruticultores da região, o sindicato buscou o apoio pontual da Codevasf (Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba), que auxilia a cadeia da fruticultura em Juazeiro/BA e Petrolina/PE.

Dentre as oportunidades que vêm surgindo na área de produção de frutas, o sindicato está estruturando uma cadeia para apoiar esse crescimento – inclusive com a intenção de trazer projetos de irrigação para as áreas produtoras – aproveitando a disponibilidade hídrica do município.

Animado com os resultados alcançados, Diego sonha ainda mais alto: trazer para Niquelândia um polo da Embrapa Cerrado. Para alcançar esse objetivo, o líder sindical sabe que irá depender muito da vontade dos próprios produtores.

“A ideia é que, no final de todo esse trabalho, possamos ter uma estrutura produtiva diversificada e qualidade, gerando renda para o produtor, emprego para o cidadão e divisas para o município, o Estado e país como um todo”, diz o presidente do sindicato.

SÓ PESQUISA NÃO BASTA – Dada a grande extensão territorial do município, o maior de Goiás, Diego Coelho reforça que a possível chegada da Embrapa Cerrado a Niquelândia possibilitará a produção de novas culturas e melhorar as já existentes para produzir em escala até industrial – em quantidades suficientes para mandar para outros mercados – até mesmo para exportação.

Sobre o cultivo da mangaba na região do Povoado do Muquém, Diego Coelho defende ser necessária não somente a pesquisa, mas uma corrente de potenciais interessados, que envolve o Sindicato Rural de Niquelândia, os parceiros e os produtores.

“Nosso sindicato busca os parceiros; e os produtores precisam abrir as portas de sua propriedade, vir para dentro do Sindicato, entender o que está acontecendo. Talvez nós façamos um movimento que para o produtor pode não ser interessante. E como a gente vai descobrir isso? Como a participação do produtor dentro do sindicato”, orientou.

O EXEMPLO DA MINERAÇÃO – A diversificação da produção rural em Niquelândia ocorre em situação oposta da mineração, que tornou o município refém desta atividade econômica. A crise do setor – a partir de 2008 e em especial, a partir de 2016 – ainda afeta as famílias niquelandenses.

“Infelizmente, tivemos esse processo da mineração em nosso município. E já passamos isso lá atrás, na época do ouro. Ali também, o município era refém naquele momento de uma produção que, do nada, mudou a regra do jogo”, lembra-se Diego Coelho.

“E isso vale para o município e vale para o próprio produtor. Têm muitos produtores diversificando dentro da sua própria propriedade, porque não significa que o que dê lucro hoje, dê lucro também amanhã”, completou o líder sindical.

TENDÊNCIAS DO AGRO – Nos últimos quatro anos, em Niquelândia, percebe-se exponencial crescimento da produção de grãos – seja soja, milho ou sorgo, por exemplo – principalmente em níveis de pastagens degradadas, o que implica o produtor aproveitando áreas já abertas de pastagens.

Segundo ele, embora não tenha crescido o número de produtores, ocorreu uma mudança da maneira como o produtor trabalha com a pecuária leiteira, muito em razão da interferência do Sindicato Rural e do Senar.

“Hoje, são de 100 a 120 produtores, produzindo leite em bom volume. Com o preço de leite hoje – e o grão subindo – esses 100, 120 hoje não estariam mais no mercado. Então, foi uma produção que mudou bastante, que se atualizou. A curto prazo é [uma atividade] muito interessante, porque a ordenha do leite é diária”, disse.

Ele percebeu, também, que mais pessoas estão investindo na pecuária de corte, atividade essa que seria a terceira com mais potencial de desenvolvimento a longo prazo, produzindo bezerros de padrão mais elevado.

Nos próximos dias – seguindo um trabalho iniciado ao longo de 2020 até os dias atuais – o Sindicato Rural conduz essas cadeias buscando apoio técnico. Ele citou o recente apoio da Anglo American, através do Programa Crescer, com boa aceitação de mais de 60 apicultores de Niquelândia, adesão maior do que a verificada em Barro Alto.

Nos próximos dias, o Sindicato Rural de Niquelândia inicia discussões sobre a cadeia de produção de aves. Para tanto, Diego Coelho fará uma visita técnica ao Sindicato dos Avicultores do Distrito Federal (Sindiaves-DF).

“Nosso município já tem pessoas investindo. Só este ano capacitamos mais de 30 produtores, em produção de galinhas. Ano passado foram mais de 60; e mais da metade desses já tem suas estruturas físicas construídas. Lógico, são pequenos produtores, mas a ideia é potencializá-los ao longo desses anos em que estivermos à frente do Sindicato Rural, a fim de deixar um plano bem estruturado para o próximo presidente”, afirmou Diego.

CURSOS E TREINAMENTOS – Encerrando, o presidente fala das oportunidades de treinamentos oferecidos pelo Sindicato Rural: Processamento Artesanal de Leite [previsto, ainda indefinida a região; e Operação de GPS Básico. Recentemente, foi concluído o treinamento de Olericultura Básica, na região do Faz Tudo.

VISITA DE CLAUDINEI RIGONATTO – O superintendente da Faeg, Claudinei Rigonatto, visitou recentemente o Sindicato Rural de Niquelândia para planejar e programar algumas atividades para os próximos dias, oportunidade em que classificou Diego Coelho como “jovem dinâmico”.

Para Rigonatto, o trabalho de Diego tem melhorado as condições do Sindicato Rural de Niquelândia e buscado soluções para oferecer a melhor prestação de serviços aos produtores da região.

“Estamos em um caminho de retomada das atividades, em face da pandemia. Já estamos em uma marcha bem acelerada”, explicou Rigonatto, lembrando que a Faeg atendeu todas as restrições impostas pela circulação do novo coronavírus.

Dentre as ações anunciadas em Niquelândia, o Programa Agro Fraterno – desenvolvido pelo Sistema Faeg/Senar – vai auxiliar famílias do meio rural em maior vulnerabilidade social, com a entrega de cestas básicas.

O cadastramento, baseado no Cadastro Único (CadÚnico), será feito pelo sindicato.

“É uma contribuição do agro e das entidades que o compõem, com esta pequena ajuda do setor a quem mais precisa neste momento. Sabemos que muitas famílias entraram em dificuldade, pela falta de renda, pelo desemprego, por uma série de fatores”, anunciou Claudinei Rigonatto, explicando que o programa social vem sendo estruturado há algum tempo.

De acordo Claudinei Rigonatto, a meta é distribuir 20 mil cestas em todo o Estado, que já estão sendo entregues. Em meados de setembro, quando ele Rigonatto esteve em Niquelândia, o presidente da Faeg, deputado federal José Mário Schereiner (DEM), percorria a região do Vale do Araguaia distribuindo os alimentos.

“Temos fé e esperança de que conseguiremos superar todas as dificuldades que ficaram para trás e, com certeza, contribuir ainda mais com o desenvolvimento do agronegócio não somente em Niquelândia, mas em todo o Estado de Goiás”, concluiu Rigonatto. [Com informações do Programa Niquelândia Notícias – Rádio 104,7 FM – Niquelândia]

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