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Niquelândia

“Janeiro Branco” debate saúde mental entre os profissionais da Segurança Pública

Pedro Afonso Matias, diretor da Unidade Prisional de Niquelândia, organizou palestra ministrada pela psicológa Lorrane Ferreira: tensão na atividade diária de policiais civis, militares, agentes prisionais e bombeiros pode provocar quadros de estresse, depressão, excessos no consumo de álcool e de medicamentos

Em parceria com a Unidade Prisional de Niquelândia (UPN), a psicóloga Lorrane Ferreira do Carmo ministrou palestra com foco em Saúde Mental para policiais civis, bombeiros e agentes prisionais da cidade do Norte do Estado, na última semana. Lorrane atua no Centro de Referência de Assistência Social (CRAS) da prefeitura do município, na Vila Mutirão

Por cerca de uma hora e meia – na manhã da sexta-feira (17), à convite do diretor da UPN, Pedro Afonso Matias de Vasconcellos – a psicóloga do CRAS discorreu sobre as principais preocupações e perturbações que afligem profissionais da Segurança Pública em Goiás e em todo o Brasil.

O trabalho da UPN com o CRAS está alicerçado com a temática da campanha “Janeiro Branco”, que versa justamente sobre a importância da manutenção/preservação do bom estado psicológico em todas as categorias trabalhistas.

Pedro Afonso Matias, diretor da Unidade Prisional de Niquelândia, ladeado pela psicológa Lorrane Ferreira do Carmo, que ministrou a palestra na última semana [Foto: Euclides Oliveira]
Porém, no exercício da função pública de zelar pela vida do cidadão de bem, policiais civis e militares normalmente entram em confronto direto com bandidos e pessoas com variados graus de periculosidade.

A rotina não é muito diferente para os agentes prisionais subordinados à Pedro Afonso que, na UPN, também têm o dever constitucional de representar bem o Estado no papel de zelar pelos vida dos reeducandos sob a tutela da Diretoria Geral da Administração Penitenciária (DGAP), da Secretaria Estadual de Segurança Pública .

Aos militares do Corpo de Bombeiros, por outro lado, está a missão de salvar vidas humanas em diferentes tipos de ocorrências, como acidentes com vítimas e/ou cadáveres presos às ferragens de veículos; e afogamentos, dentre outros exemplos.

Fato esse que, segundo Lorrane, acende um sinal de alerta para quem trabalha em funções tão estressantes, que podem acarretar sobrecarga emocional na vida desses profissionais. Diante disso, segundo a psicóloga, não são raros os casos de uso abusivo de álcool e de remédios de tarja preta (e outros tipos de substâncias, em situações mais graves) no universo da Segurança Pública.

Para Lorrane, embora seja correto que esses profissionais tentem manter um certo distanciamento do estresse psíquico cotidiano que enfrentam (ou “frieza”, no conceito da população em geral), quem trabalha na Segurança Pública deve também precaver-se para não se tornar um mero boneco de madeira, sem qualquer tipo de emoção aparente.

PRESSA EM RITMO FAST FOOD – Na palestra que ministrou aos profissionais da Segurança Pública em Niquelândia, Lorrane disse que a intensidade das cobranças do trabalho e da própria familia, no dia a dia, fazem com que esta e outras categorias exerçam suas tarefas num ritmo alucinante, a exemplo das lanchonetes fast-food (comida rápida, na tradução do inglês para o português), quase sem tempo para pensar nas próprias necessidades, o que desencadeia quadros de estresse elevado [Foto: Euclides Oliveira]
ATIVIDADE FÍSICA E TERAPIA PODEM AJUDAR – “Eles são cobrados por todo mundo, a todo momento, por um trabalho que nem sempre dá resultados porque prendem (os criminosos) e (o Poder Judiciário) solta. Os policiais ficam horas e horas em prol disso, sofrendo pressão muito grande, deles mesmos, da Justiça, da lei, da sociedade, das famílias dos presos; e das famílias deles próprios, que ficam preocupadas também. Isso faz com esses profissionais tenham níveis muito altos de estresse. O importante é saber lidar com isso, mas não existe uma regra específica. O essencial, nos casos em que possível, é praticar uma atividade física e também submeter-se a uma terapia. Nós todos, de um modo geral, temos um analfabetismo emocional muito grande, com os nossos sentimentos e também dos outros”, comentou a psicóloga do CRAS, na entrevista ao Excelência Notícias.

ANSIEDADE – O diretor da cadeia de Niquelândia também fez um breve relato do quadro de ansiedade pelo qual passou desde 2012 quando ainda era “concurseiro” de provas para ingressar no Serviço Público Estadual, até que fosse aprovado em 2014 em certame do Governo de Goiás para o cargo de agente prisional.

Porém, como ele próprio relatou, Pedro Afonso ainda enfrentou ansiedade posterior enquanto aguardava para ser convocado pelo Estado para assumir a vaga no quadro da DGAP em Goianésia, o que ocorreu somente em agosto de 2017. Como se sabe, todos os aprovados em concurso público ainda precisam passar por cursos específicos de formação à área na qual irão ingressar.

De acordo com Pedro Afonso, as tensões no ambiente carcerário existem todos os dias mas não podem ser utilizadas como justificativa para que os profissionais em atuação na unidade prisional de Niquelândia cometam algum tipo de conduta inadequada na tarefa de zelar pela guarda dos reeducandos, que é uma obrigação legal do Governo do Estado, daí a importância do foco preventivo no campo da saúde mental [Foto: Euclides Oliveira]
Ou seja, até a publicação do decreto de nomeação no Diário Oficial, todo o trâmite burocrático demora três anos ou mais para ser concluído.

Com relação à tensão no ambiente da carceragem da UPN, Pedro Afonso disse que sempre busca aconselhar seus subordinados a manterem a calma na execução das tarefas diárias para que não ocorra nenhum tipo de anormalidade no difícil trabalho de executar a guarda dos presos.

DIÁLOGO PARA AMENIZAR A TENSÃO – “Os conflitos estão todos lá (na UPN) pois cabe a nós (funcionários da unidade prisional) cuidar de todos os tipos de problemas (no caso, os infratores da lei) que as polícias Civil e Militar nos trazem todos os dias, das ruas. Porém, quem julga é só Deus. Aqui, na Terra, temos que fazer o nosso papel e cumprir a Lei de Execuções Penais. E os agentes prisionais possuem um papel preponderante nessa ação, principalmente os plantonistas. Sem eles, nada acontece, principalmente para coibir a entrada de celulares e de crianças no interior da nossa unidade prisional. E, para isso, nossos agentes precisam estar psicologicamente bem, daí a importância de ações como essa campanha do Janeiro Branco”, comentou o diretor da cadeia de Niquelândia.

PRESENÇA E AUSÊNCIA – o advogado e presidente da Ordem dos Advogados de Niquelândia (OAB), Leandro Pereira da Silva – recém-empossado na função – prestigiou a palestra organizada por Pedro Matias. Por outro lado, a Polícia Militar (PM) de Niquelândia, sob o comando do capitão David Cabral, não mandou nenhum representante às discussões.

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