Niquelândia

Prefeitura terá verba de R$ 350 mil para reformar Hospital Municipal

Recursos do Ministério da Saúde servirão para adequações na estrutura do local, o que não ocorre desde abril de 2009. Filmagem indevida de pacientes internados, feita por radialista e cinco vereadores, foi criticada por membro da diretoria do Sindicato dos Jornalistas, em Goiânia: falta de ética

Em reunião realizada na manhã da quinta-feira (25) no gabinete do prefeito Fernando Carneiro (PSD) com os três vereadores que integram a Comissão de Saúde da Câmara Municipal de Niquelândia, o Poder Executivo informou que aguarda liberação de uma verba de R$ 350.000,00 do Ministério da Saúde/Governo Federal para realizar obras de reforma no Hospital Municipal Santa Efigênia.

A atual secretária de Saúde, Nery Lelis; e o diretor-clínico do hospital, o médico Nelson Couto, participaram do encontro com a comissão do Legislativo que cuida dessa área, formada pelos vereadores Eduardo Salgado (PT), Iris Rincon (PDT); e Jonas Batista Barbosa (PC do B). O vereador Eurípedes Rodrigues da Silva, o Eurípedes do Quebra Linha (PHS), também se fez presente às discussões.

“O prefeito – que também é médico – assumiu o cargo há apenas três meses e recebeu o Hospital Santa Efigênia em péssimas condições. Ele (Fernando) já trabalhou durante muitos anos em nosso hospital; conhece a fundo a realidade da Saúde em Niquelândia; sempre se mostrou preocupado com essa situação; e está sim correndo atrás dos recursos necessários à essa obra”, comentou o vereador do PT, líder da bancada que dá sustentação política a Fernando Carneiro no Legislativo.

Os recursos, quando estiverem disponíveis, vão servir para que o prédio passe por adequações e melhorias no sentido de melhorar as condições de trabalho para os profissionais de Saúde que ali trabalham; e também para pacientes internados.

No presente momento constata-se, no Hospital Santa Efigênia, a existência de saídas de água sem chuveiro em alguns banheiros; danos aparentes na estrutura metálica de janelas internas (onde há inúmeros vidros quebrados); e pintura interna desgastada pela ação do tempo, mas ainda em razoável estado de conservação.

Outro ponto debatido no encontro foi a falta de lençóis para cobrir as camas nos leitos do hospital municipal. Isso está obrigando familiares de pacientes a levarem, de suas casas, esse tipo de material para suprir essa deficiência momentânea no local.

Afim de que o problema seja finalmente resolvido, Nery Lelis informou que uma licitação em caráter emergencial foi aberta há 15 dias para a compra de 100 unidades de novos lençóis, que deverão chegar nos próximos dias.

Nelson Couto (médico e diretor-clínico), Nery Lelis (secretaria de Saúde), e os vereadores Eduardo Salgado (PT) e Iris Rincon (PDT), em entrevistas distintas ao Portal Excelência Notícias e à Rádio Mantiqueira 92,3 FM ao final da reunião: Hospital Municipal Santa Efigênia analisado sob diferentes pontos de vista [Fotos: Elaine Alves/Montagem: Portal Excelência Notícias]
HISTÓRICO – O Hospital Municipal Santa Efigênia, como se sabe, sofreu sua última grande reforma na administração do então prefeito Ronan Rosa Batista, sendo reinaugurado em março de 2009 nas comemorações do 274º aniversário da cidade do Norte do Estado. Ou seja, há nove anos e meio.

Em junho de 2012, o local esteve sob ameaça de interdição parcial pela Vigilância Sanitária Estadual para evitar qualquer internação ou procedimento invasivo (cirurgias), problema esse que foi contornado após janeiro de 2013 na gestão do então prefeito Luiz Teixeira (PSD).

Entre janeiro de 2017 e junho de 2018, o município foi governado pelo então prefeito Valdeto Ferreira (PSB) e pelo prefeito interino Léo Ferreira (PSB).

Ele ficou no cargo por um mês por ser o atual presidente do Legislativo, quando Valdeto e o então vice-prefeito Celino Correa (SD) foram afastados de seus cargos por decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE)

Nesse período de 18 meses – em que tio e sobrinho exerceram os cargos mais importantes de Niquelândia – o único hospital público da cidade do Norte do Estado também não recebeu melhorias significativas.

Mesmo assim, Léo Ferreira e outros quatro vereadores (Visconde Vieira de Castro/PSDC; Jesus Ferreira França/PRB; Edna Cardoso/PC do B; e a própria Iris Rincon, já citada no início desta reportagem) apareceram num vídeo gravado na porta e no interior do hospital municipal, na tarde da segunda-feira (22).

EXCESSOS – Na ocasião, porém, os cinco vereadores abusaram de suas prerrogativas no exercício do cargo público por terem “consentido” a entrada de um representante da imprensa de Niquelândia na área interna do hospital, sem autorização formal da secretária de Saúde ou do diretor da instituição.

Léo, Jesus, Edna, Iris, e Visconde foram filmados pelo radialista Clayton Santana. Com o indevido respaldo dos vereadores, o comunicador adentrou áreas restritas do hospital público e, ao gravar as situações que foram objeto da reunião da Comissão de Saúde do Legislativo com o prefeito de Niquelândia, praticou exposição desnecessária da imagem dos pacientes ali internados.

Por isso, muitas dessas pessoas acabaram sendo filmadas parcialmente despidas ou com roupas íntimas, sendo posteriormente mostradas em vídeo de 33 minutos publicado por Clayton Santana em sua página do Facebook, denominada “Niquelândia em Foco”.

A publicação alcançou mais de 10.000 visualizações e uma infinidade de compartilhamentos. Tudo isso para que o tom de “denúncia” do radialista local em seu canal nas redes sociais fosse reforçado com “depoimentos” sobre a falta de lençóis nas camas do hospital público, conforme já citamos.

A gravação irregular também foi marcada por opiniões pessoais do próprio comunicador sobre situações que deveriam ser objeto de um extenso relatório dos cinco vereadores ao chefe do Poder Executivo.

CRÍTICA –  “Foi muito ruim saber desse ocorrido na cidade de Niquelândia, em que um cidadão (Clayton Santana) – no afã de se passar por jornalista profissional – ultrapassou as raias do bom senso e do respeito a pessoas doentes e fragilizadas para tentar conseguir audiência a qualquer custo”, comentou o ex-presidente e atual tesoureiro do Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado de Goiás, Cláudio Curado.

COMO É NA CAPITAL?  – Normalmente, as TVs Anhanguera (Globo) e Serra Dourada (SBT) – dentre outras, em Goiânia – optam por entrevistar parentes ou mesmo pacientes dos hospitais da capital em áreas públicas desses locais (como na recepção, por exemplo).

Isso nunca é feito em áreas internas – mesmo quando há uma denúncia – sempre para preservar a boa relação entre os meios de comunicação e os diretores das instituições hospitalares mantidas com recursos do SUS.

Embora preocupado com a provável eleição de Jair Bolsonaro (PSL) neste domingo (28) ao cargo de presidente da República – sob o argumento da volta da ditadura militar e do cerceamento da liberdade de imprensa no Brasil – Cláudio fez um importante contraponto sobre a postura de Clayton Santana na gravação do vídeo.

REFLEXÃO – “O exercício correto do jornalismo depende de ética e respeito ao ser humano. Portanto, não será com ‘exemplos’ como esse (do radialista de Niquelândia) que nós (da área de comunicação) iremos nos contrapor aos ataques (da classe política) que estão sendo feitos contra o jornalismo e os jornalistas. Que o episódio deste vídeo em Niquelândia sirva para as pessoas refletirem sobre a necessidade de um jornalismo feito por jornalista profissional, com sólidos conhecimentos técnicos e com respeito a ética profissional”, completou o tesoureiro do Sindicato dos Jornalistas em Goiás, em entrevista por email ao Portal Excelência Notícias no início da noite da quinta-feira (25).

Jonas, Nery, Nelson, Dr. Fernando, Iris, Eurípedes e Eduardo Salgado: ânimos pacificados após a reunião que debateu problemas existentes no Hospital Municipal [Foto: Elaine Alves
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