Dom Messias conclama católicos para barrar eleição de ‘abortistas’
Bispo da Diocese de Uruaçu foi enfático ao condenar proposta que tramita no STF para descriminalização do aborto no Brasil na manhã da quarta-feira (15) no Santuário do Muquém: forte recado aos candidatos às eleições de outubro

De forma veemente e sem rodeios, o bispo da Diocese de Uruaçu, dom Messias dos Reis Silveira, dirigiu-se aos mais de 35 mil fiéis de Nossa Senhora da Abadia presentes à missa-solene na manhã da quarta-feira (15) no Santuário do Muquém – em Niquelândia, Norte do Estado – para ratificar o posicionamento da Igreja Católica sobre a descriminalização do aborto no Brasil; e também para alertar sobre a compra-e-venda de votos às vésperas da eleição marcada para o dia 7 de outubro.
No encerramento da 270ª edição do festejo católico que originou a mais antiga romaria de Goiás – sentados às primeiras fileiras de bancos do Santuário do Muquém – estavam as maiores autoridades políticas do Estado que disputam a reeleição para os cargos que ocupam atualmente; e os que também buscam mandatos para o exercício de novas funções públicas.

Os senadores Wilder Morais (DEM) e Lúcia Vânia (PSB), que pleiteiam novo mandato de oito anos; e o empresário Vanderlan Cardoso (PP) – agora candidato ao Senado, após duas derrotas seguidas na eleição para governador – também ouviram atentamente as enérgicas palavras do bispo de Uruaçu sobre a proposta em tramitação no Superior Tribunal Federal (STF).
Como se sabe, o STF realizou dois dias de audiências públicas na última semana para ouvir instituições contra e a favor da Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) número 442, que prevê à descriminalização do aborto no país até a 12ª semana de gestação.

Atualmente o aborto é crime no Brasil. Só é permitido em caso de estupro; risco para a vida da mãe; e para casos feto com anencefalia (que não possuem a maior parte do cérebro, também após decisão do STF em 2011).
Mas, para as advogadas que assinam a ADPF 442, a criminalização do aborto leva muitas mulheres a recorrer a práticas inseguras para provocar a morte de crianças em gestão em clínicas clandestinas, por exemplo.

Ainda de acordo com o religioso, o eleitorado precisa apoiar candidatos que seja bons cristãos, solidários ao povo – voltados ao interesse comum e não apenas à interesses privados – que possuam atuação ativa em suas comunidades, sendo Sal da Terra e Luz do Mundo. Ou seja, figuras públicas cujas atitudes na vida pessoal e profissional glorificam a Deus para levar outras pessoas a seguir Jesus.
Dom Messias afirmou, também, que a Confederação Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) estimula a participação dos leigos na política para vencer o preconceito de que a atuação do cidadão na esfera pública seria “uma coisa suja e supérflua”.
Segundo o bispo, ao contrário do que se pensa, a política é essencial para a transformação da sociedade desde que praticada por homens e mulheres de bem. Porém, esse vínculo dos políticos com os preceitos católicos, acrescentou o religioso, deve ser demonstrado pelos candidatos antes do período eleitoral.

Dom Messias também se posicionou sobre o instituto da reeleição vigente no País. Segundo ele, existem bons políticos que merecem ser reeleitos por sua honestidade e competência. Para tanto, cabe ao eleitor buscar essas informações em fontes seguras ao citar que, na internet e nos aplicativos de mensagens (caso do WhatsApp) há a propagação instantânea de fatos mentirosos.
“Votar branco ou nulo é como a atitude de Pilatos, que lavou as mãos. A melhor forma de protestar é votar contra os corruptos, num bom candidato. A política precisa de santos, embora seja difícil de encontrar”, completou dom Messias.

“Fico feliz de ver que, a cada ano, essa romaria ganha corpo e também a dimensão da fé que existe em todos nós. É sempre importante que todos os católicos tenham, em seu coração, o sentimento de atuar em favor do próximo. Agradeço pelas palavras de Dom Messias no sentido de permear os corações de todos que estão aqui. Que Deus possa nos abençoar e que Nossa Senhora da Abadia possa encher nossos corações de alegria. Viva Nossa Senhora da Abadia. Viva os romeiros de Muquém”, saudou o governador.

Pouco antes disso, o reitor do Santuário do Muquém, padre Aldemir Franzin, agradeceu ao Estado pela construção do Caminho dos Romeiros – faixa de asfalto às margens dos 45 quilômetros entre Niquelândia e a igreja na GO-237/Rodovia da Fé.
Para essa estrada, o padre pediu a urgente reforma do asfalto no seu início entre a terceira etapa do Jardim Atlântico e o trevo de acesso à GO-532 (em direção à mineradora Anglo American).
O reitor do Muquém também destacou que as 450 mil pessoas que passaram pelo local esse ano se queixaram bastante sobre as dificuldades para a entrada/saída de carros no trecho final da GO-237, onde fica o único acesso ao Santuário.
O principal pedido de padre Aldemir aos candidatos ao Governo de Goiás focou na viabilização da construção de um Anel Viário em torno da igreja para melhorar a logística do trânsito de 90 mil veículos no local, sobretudo nos dias de maior movimento de devotos de Nossa Senhora da Abadia.
O governador José Eliton – que crê fervorosamente em sua reeleição em outubro – assumiu esse compromisso publicamente quando se dirigiu aos representantes da Igreja Católica, naquele dia.

