FEMINICÍDIO – Homem que matou a esposa se entrega à Polícia Civil, mas não escapa da cadeia em Niquelândia: contra ele já havia mandado de prisão preventiva
Durante interrogatório na tarde desta terça-feira/3, Aparecido Lins de Siqueira confirmou ter efetuado o único disparo que tirou a vida de Cícera Abadia de Souza Botelho, mas alegou não saber que espingarda estava municiada
Aparecido Lins de Siqueira, de 55 anos – suspeito de matar a própria esposa, Cícera Abadia de Souza Botelho, de 38 anos, na zona rural de Niquelândia – apresentou-se espontaneamente à Polícia Civil na tarde desta terça-feira (3).
Mesmo fora da situação de flagrante, o autor do feminicídio acabou sendo recolhido à unidade prisional da cidade do Norte do Estado, no Bairro Santa Efigênia
Isso porque contra ele havia um mandado de prisão preventiva, expedido pela Poder Judiciário ainda na manhã de hoje que foi devidamente cumprido após sua chegada à sede do Grupo de Investigação de Homicídios (GIH), na primeira etapa do Jardim Atlântico.
RELEMBRE O CASO – O crime ocorreu por volta das 23h do sábado (31), na região do Assentamento Bonsucesso.
A vítima foi atingida por um disparo de arma de fogo na região frontal da cabeça, na altura da testa, e morreu após ser socorrida e encaminhada ao Hospital e Maternidade Municipal Santa Efigênia.
De acordo com as informações levantadas inicialmente pelas forças de segurança, horas antes do crime, familiares estavam reunidos na residência de um irmão de Cícera, onde assavam carne, consumiam cerveja e jogavam baralho.
Segundo o relato de uma testemunha, irmão da vítima, o ambiente era de tranquilidade, sem sinais aparentes de conflito entre o casal.
Após a confraternização, o irmão de Cícera retornou para sua residência, situada a aproximadamente 300 metros da propriedade do casal.
Algum tempo depois, Aparecido foi até o imóvel pedindo ajuda para socorrer a esposa. Na ocasião, alegou que a arma de fogo havia disparado acidentalmente e atingido a mulher.
Diante da gravidade da situação, os dois colocaram Cícera em um veículo e seguiram para o hospital. Apesar dos esforços da equipe médica, a mulher não resistiu ao ferimento.
FUGA E INVESTIGAÇÃO – Conforme as informações policiais, Aparecido deixou o hospital após o atendimento à vítima e não foi localizado pelas equipes que iniciaram as diligências.
Desde então, policiais civis e militares realizaram buscas em possíveis endereços onde ele poderia estar escondido, incluindo residências de familiares.
Durante as diligências, a Polícia Militar apreendeu uma espingarda calibre 32 na propriedade rural onde ocorreu o crime, supostamente utilizada no disparo.
Posteriormente, em uma nova ação do Batalhão Rural na residência, os policiais localizaram outra arma de fogo, de fabricação caseira, uma espingarda calibre 28, que também foi apreendida.
O delegado Cássio Arantes do Nascimento, titular do GIH de Niquelândia, explicou que o delegado Sandro Leal Costa – de Uruaçu, que respondia pelo plantão da PC na região no dia do crime – reuniu os levantamentos realizados pelos investigadores e os depoimentos de uma das filhas do casal e de um irmão da vítima.
Com base nesses elementos, Sandro Leal solicitou a prisão preventiva do investigado ainda no final de semana.
Antes mesmo da expedição do mandado, os advogados de Aparecido entraram em contato com a Polícia Civil informando que ele pretendia se apresentar espontaneamente, o que acabou ocorrendo de fato nesta terça-feira/3, acompanhado de seus defensores.

VERSÃO APRESENTADA PELO INVESTIGADO – No final da da tarde de hoje, o delegado Cássio Arantes concedeu entrevista exclusiva ao Excelência Notícias sobre o interrogatório do autor do feminicídio.
De acordo com a autoridade policial, Aparecido confirmou ter efetuado o disparo que atingiu a esposa no rosto, mas apresentou uma versão dizendo acreditar que a arma estivesse descarregada.
Em seu relato, o investigado disse ao delegado que, após retornar da confraternização na residência do irmão da vítima, ele e Cícera foram para a casa onde moravam.
Algum tempo depois, segundo o delegado de Niquelândia, ele teria encontrado Cícera sentada no sofá da sala, utilizando o celular.
Ao perguntar com quem ela estaria conversando, Aparecido teria recebido uma negativa, o que provocou um desentendimento entre os dois.
Ainda conforme a versão apresentada, nesse momento ele se apoderou de uma espingarda calibre 32, que, segundo alegou, pertenceria a um cunhado e estaria na residência.
“Após perceber que Cícera estava gravemente ferida e apresentava intenso sangramento, ele teria jogado água no rosto da mulher e procurado o irmão dela para pedir ajuda. Em seguida, os dois providenciaram o transporte da vítima até o hospital. Ele também nos relatou que deixou a unidade de saúde por medo de sofrer represálias dos familiares da esposa”, explicou o delegado do GIH
DILIGÊNCIAS E CONCLUSÃO DO INQUÉRITO – Segundo o delegado Cássio Arantes, a sequência da investigação ainda depende de algumas diligências complementares e da conclusão dos laudos periciais com base nas informações coletadas pela Polícia Técnico-Cientifica de Uruaçu na cena do crime
A Polícia Civil de Niquelândia também apura possíveis crimes relacionados à posse irregular de armas de fogo de uso permitido, considerando a apreensão das duas espingardas, que estavam em poder de Aparecido.
O delegado informou que o caso é investigado como feminicídio e que, após a conclusão dos procedimentos pendentes, o inquérito deverá ser encaminhado ao Poder Judiciário.





