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Caiado rompe com Bolsonaro e diz que assume responsabilidade pela vida de 7,2 milhões de goianos

Governador condenou o tom de menosprezo do Presidente da República pelo isolamento social ao combate do Covid-19, após a péssima repercussão do pronunciamento oficial do chefe da Nação, na noite de ontem

Diante da grande repercussão gerada pelo pronunciamento em rede nacional de Rádio e TV do Presidente da República, Jair Bolsonaro, na noite desta terça-feira (24/3), e das consequentes dúvidas e preocupações por ele suscitadas, o governador Ronaldo Caiado (DEM) convocou coletiva de imprensa na manhã desta quarta-feira (25/3), na qual, de forma direta e categórica, assegurou que as medidas determinadas em seu decreto estão mantidas em Goiás.

“Na política e na vida, a ignorância não é uma virtude”. E continuou: “Com autoridade de governador e juramento de médico, as decisões do Presidente da República não alcançam Goiás. Isso posto, as regras que prevalecerão serão as regras do meu decreto, seguindo critérios regulados pela Organização Mundial da Saúde e pelo corpo técnico do Ministério da Saúde”, afirmou Caiado, que abriu sua fala citando Barack Obama.

Como médico, o governador expressou toda sua indignação com o tom de menosprezo à seriedade da pandemia que permeou o pronunciamento do presidente da República.

Em sua avaliação, tratar o coronavírus como uma simples ‘gripezinha’ é um ato, ressaltou, “de extrema irresponsabilidade”.

“Fui aliado de primeira hora, durante todo tempo. Não posso admitir que o presidente venha agora e lave suas mãos, responsabilizando outras pessoas por um eventual colapso. Não é isso que esperamos de um governante, de um Estadista, em um momento como este, mas sim humildade e serenidade. Numa guerra, não se aceita transferir responsabilidade a outros”, expressou o governador.

“Aqui em Goiás, a responsabilidade sobre a vida de 7 milhões e 200 mil goianos é exclusivamente minha. Eu assumo”, frisou Caiado, destacando que tal prerrogativa lhe é assegurada pela Constituição Federal. Coincidentemente, a Carta Magna celebra neste 25 de março, 196 anos de sua outorga.

“A autonomia que conclamo me é garantida pela Constituição Brasileira, que em seu artigo 24, inciso XII, garante aos governadores a prerrogativa de legislar de forma concorrente, no que diz respeito à defesa da Saúde Pública. Se decisões tiver que tomar, as farei junto ao STF [Supremo Tribunal Federal] e ao Congresso Federal, ao lado dos Poderes constituídos.”

Caiado também condenou aqueles que, em um momento tão delicado, frente à maior crise sanitária que assola a humanidade no século XXI, muito estejam colocando vidas em detrimento do lucro. O governador entende que a economia sofrerá incalculáveis perdas, mas que o momento é de priorizar a Saúde.

“Muitos colocam a tese de que teremos um colapso econômico de grandes proporções. Ao colocar na balança – o que é mais importante? A vida ou a economia? Nós podemos fazer as duas coisas. Existem aqueles que são guiados pelo lucro e pelo dinheiro. Mas a grande maioria do empresariado goiano pensa diferente e tenho que reconhecer o apoio que temos recebido”, afirmou Caiado.

Ainda de acordo como o governador do Estado, diante da inexistência da vacina para a Covid-19, ninguém sabe ao certo como o vírus  se comporta.

“Até então, o único dado conclusivo é de que apenas o isolamento pode conter sua disseminação. Assim, por hora, posso dizer que saberei ponderar o momento adequado para flexibilizar as regras de isolamento social”, encerrou Caiado. [Informações da Secretaria Estadual de Comunicação – Governo de Goiás]

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