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Niquelândia

Exame no corpo de adolescente achado morto definirá rumos da investigação da Polícia Civil

Phedro Isaak do Carmo Rodrigues de Jesus, de 17 anos, foi achado sem vida às 16 horas desta segunda-feira/22 num bueiro de concreto do Córrego Barrado no subsolo da Avenida Bernardo Sayão: caso foi registrado como "morte a esclarecer" pelo delegado Cássio Arantes do Nascimento

Cautela. Essa foi a postura adotada pelo delegado-titular da Polícia Civil em Niquelândia, Cássio Arantes do Nascimento, no início da noite desta segunda-feira (22) ao comentar as prováveis circunstâncias da morte do adolescente Phedro Isaak do Carmo Rodrigues de Jesus, de 17 anos.

O caso foi registrado pela autoridade policial como “morte a esclarecer” porque somente um exame cadavérico a ser realizado pelo Instituto Médico Legal (IML) de Uruaçu poderá revelar se Phedro Isaak foi alvo de algum tipo de violência física de cunho criminoso; ou morte natural.

O corpo do jovem foi encontrado por volta das 16 horas do mesmo dia, num bueiro de concreto existente no subsolo do início da Avenida Bernardo Sayão, por onde passam as águas do Córrego Barrado.

Às margens do local – distante menos de 500 metros da Praça Silva Júnior, no Setor Central da cidade do Norte do Estado – existe um terreno abandonado em declive acentuado, com mato alto ao redor dessa área.

Em paralelo ao rio – mas no lado oposto ao lote baldio, na mesma avenida – funciona uma serralheria.

Funcionários do estabelecimento comercial perceberam um forte mau-cheio exalando do local, motivando a presença das polícias Civil e Militar para o devido isolamento da área e levantamentos preliminares da Polícia Técnico-Científica, também de Uruaçu.

Foi necessário acionar o Corpo de Bombeiros de Niquelândia para que o trabalho de remoção do corpo foi feito em segurança, pela dificuldade de acesso à área.

Antes do cadáver ser levado para Uruaçu, agentes de investigação da Polícia Civil localizaram, inicialmente, uma tatuagem no braço esquerdo de Phedro Isaak, com a inscrição “Phedro”, alusiva ao próprio nome do rapaz; e outra tatuagem, no tórax, com a inscrição “Warley”.

Logo surgiram os primeiros rumores de que Phedro Isaak era irmão de outro jovem: Warley Gabriel do Carmo Diniz tinha apenas 14 anos quando foi assassinado com uma facada no pescoço no dia 25 de outubro de 2017 perto da Escola Municipal Juscelino Kubitschek de Oliveira  (“Colégio JK”) também na região central do município.

Corpo de Bombeiros e Samu participaram da operação de resgate do corpo de Phedro Isaak, em apoio às polícias Civil e Militar de Niquelândia [Foto: Reprodução/WhatsApp]
Dessa feita, a PC foi até a casa da empregada doméstica Ivandete do Carmo, de 55 anos, no Bairro Evereste, que era a avó dos dois adolescentes.

Aos policiais civis, Ivandete detalhou que falou com Phedro Isaak pela última vez por volta das 20h30 da sexta-feira (19), quando o jovem informou que iria à Feira Sabores & Artes, a popular “feirinha”, ao lado da Praça do Tucunaré Azul.

Em rápida conversa com o Portal Excelência Notícias – quando ainda aguardava para prestar depoimento formal ao delegado Cássio Arantes – Ivandete disse que somente percebeu que o neto não havia voltado para casa por volta das 6 horas da manhã do sábado (20), quando ela acordou para ir trabalhar.

“Vou ali na ‘ferinha’ e agora eu venho. Não tranca o portão, não”, teria dito o menor para a avó, segundo Ivandete. “Fiquei com uma ‘coisa’ (pressentimento) ruim dentro de mim; e pensei ‘vou ligar pro Phedro’. Liguei para ele e só dava caixa postal, direto”, completou ela.

A avó disse, ainda, que não procurou a Polícia Civil para registrar o sumiço do rapaz porque “era normal” que Phedro Isaak se ausentasse sem dar muitas informações sobre seu paradeiro; e também porque o adolescente costumava retornar no sábado ou domingo para casa após ir para uma chácara, que ela não soube precisar o endereço. Ela também confirmou o envolvimento do neto com o submundo das drogas.

DESOLAÇÃO – “Eu estou acabada. Em sete anos, perdi cinco pessoas da minha família: meu marido, meu irmão, meu neto (Warley), meu genro e agora, outro neto (Phedro). Meu coração não aguenta mais. Não sei de onde estou tirando forças para lutar. Eu não desconfio de ninguém, mas ele (Phedro) me dizia que estava sendo ameaçado porque era muito ‘custoso’; e porque  usava e vendia (substâncias entorpecentes) mas, para mim, ele havia parado com isso. Eu já havia até marcado a missa do outro (neto, Warley) do primeiro ano para o sábado agora (dia 26), às sete horas da noite”, disse Ivandete, ao Portal Excelência Notícias, ainda na recepção da DP.

O QUE DISSE CÁSSIO ARANTES – Segundo o delegado de Niquelândia, além de ser uma potencial vítima de homicídio – circunstância frequente para quem se envolve com o tráfico de drogas, que era o caso do rapaz  – Phedro Isaak também pode ser considerado uma potencial vítima de acidente fatal também pelo fato de ser usuário de tais substâncias, principalmente se esse uso tiver for combinado com a ingestão de bebidas alcoólicas, por exemplo.

“Ele (Phedro) pode ter sido jogado ali (no Córrego Barrado) e não ter conseguido sair. Como o corpo estava em avançado estado de decomposição; e como naquele momento (do resgate do cadáver) não foram encontrados sinais físicos evidentes de morte por ação criminosa, a cautela nos faz preferir aguardar o resultado da perícia antes de fazer alguma afirmação mais contundente nesse momento”, comentou o delegado de Niquelândia em áudio enviado ao WhatsApp do Portal Excelência Notícias às 20h30 desta segunda-feira.

Terreno baldio às margens do Córrego Barrado- com acesso pela Avenida Bernardo Sayão – foi isolado pelas polícias Civil e Militar em Niquelândia para conter a presença de curiosos e também para que o Corpo de Bombeiros fizessem a remoção do cadáver do adolescente Phedro Isaak, que foi encaminhado à análise do Instituto Médico Legal (IML) em Uruaçu [Foto: Euclides Oliveira]
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